Escritos Esparsos

31 de dezembro de 2010

E o que eu quero da vida em 2011?

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 4:54

Encontramo-nos, todos, no último dia de 2010. O ano novo se impõe e o clima de festa e de esperança toma conta de todos, ou quase todos, que até essa esperança distribuída no varejo se esquiva a alguns…

É tempo de começar do zero, criar asas, trocar de pele? É tempo de recomeçar, plantar sementes e torcer pela chuva?

Ou o dia de amanhã é o dia que se segue a hoje e traz de novo o que foi semeado no ontem?

É tempo de manter, de manter-se equilibrado nesse tênue fio por onde seguimos sem sabermos bem qual a altura da queda, se cairmos.

Nessa nossa existência confusa e rica de possibilidades, cada caso é um caso e não há o ideal.

O ideal seria nunca começar do zero, sempre dar continuidade, seguir um plano, um projeto, ir alcançando objetivos um por um.

Mas nós somos falhos, queimamos etapas, conquistamos mais que o esperado, para em seguida perdemos tudo. Nós seguimos o caminho errado, ignoramos bons conselhos, caímos, levantamos e seguimos aos trancos. Além de tudo, o imprevisível nos espreita, e hoje tudo é instável. Viver é dançar ao som dos trovões.

A todos nós a vida tenta curvar, tenta quebrar. A todos nós ela curva, ela quebra. A força está em perseverar, em se erguer, em se curar e seguir.

Então o recomeço faz parte. Para muitos 2011 é um ano de recomeço, de “agora vai”, de seguir um novo caminho, criar um novo caminho, se for preciso.

A vida permite, exige coragem, mas permite.

Neste ano que termina, a vida pouco me tirou, e pouco deixei que ela me tirasse. Muito ela me deu, muito eu tomei dela.

O Preto ela levou, deixou uma pontada de tristeza no sorriso de cada um da família.

Trouxe muitos amigos, mas isso não é compensação, pois amizade não se subtrai, não se divide, ou se soma ou se multiplica. Em 2011 a vida começa me devendo: que ela não me leve ninguém.

Mas que a cada dia eu aprenda a conviver com a dor, com a perda, com a ausência; que de imediato eu aprenda a conviver com o medo da dor, da perda, da ausência, que a vida é isto.

Como a vida também é novidade, é encontro, é reencontro. E a certeza de reencontrar amigos e alunos, a expectativa por conhecer meus novos alunos e fazer novos amigos é reconfortante.

Que neste ano que começa eu tenha a força necessária para me manter no caminho que tracei, que eu tenha a determinação necessária para criar novos rumos, que eu tenha a sabedoria necessária para crescer na travessia, que eu tenha a grandeza necessária para alegrar, ajudar, apoiar, amar a quem cruzar meu caminho precisando de alegria, ajuda, apoio, amor.

Que em 2011, mais que em 2010, eu supere meu orgulho e minha vaidade, que eu os perceba sempre que surgirem e que consiga sufocá-los sempre que percebê-los. Que eu entenda que sou bem menos do que julgo ser, que nunca alcançarei o que posso ser e que reconheça que muitas vezes não fui o que os que me cercam precisavam que eu fosse.

Que a partir do raiar do novo ano eu seja mais aquele que os que amo precisam que eu seja, e seja menos quem penso ser, ou quem se impõe a mim mesmo, diante de meus defeitos.

Seja eu um melhor filho, um melhor irmão, um melhor amigo, um melhor amante, um melhor professor.

E o que eu quero da vida em 2011? Eu quero sorte, eu quero oportunidades.

Mas que ela saiba que, não me dando, eu tenho força e apoio para mudar minha sorte e criar minhas oportunidades.

E a todos que amo, de um jeito ou de outro, eu desejo, tanto quanto desejo para mim, sorrisos e alegria, beleza e poesia, sorte e oportunidades. E desejo força; força para vencer o medo, a dor, a tristeza; força para aproveitar as oportunidades; força para mudar a sorte, se preciso for.

E desejo cada um de vocês próximos a mim, fazendo a vida valer a pena.

E você? O que deseja para si?

Steller de Paula

2010 acabou! Com perdas e ganhos, avanços e retrocessos, eu gostei de vivê-lo. Que venha 2011!

E para finalizar e começar com poesia, deixo com vocês o poeta:

 

Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)

Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.

Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade.

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