Escritos Esparsos

12 de abril de 2011

Sob o Peso do Teu Silêncio

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Olhei para ti como quem olha diretamente para o Sol.

E meus olhos arderam ante tanta beleza

E meu desejo queimou e clamou pela noite.

As ondas do meu querer quebram na rebentação dos teus olhos frios.

E as flores que te ofertei murcharam

Ante o teu sorriso sem calor.

Ao pé de ti eu cantei e louvei

Reproduzi e criei imagens, paisagens,

Para te alegrar, para te encantar, para te enternecer.

Mas meu coração desaprendeu a ouvir

Sob o peso do teu silêncio.

Steller de Paula

11 de abril de 2011

Nenhuma Mulher Deve Ser Companhia para a Carência

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 2:00

Como diria Alberto Caeiro, “O amor é uma companhia. Já não sei andar só pelos caminhos, Porque já não posso andar só.”

Mas a solidão também é companhia. E muitas vezes, na ausência do primeiro, a melhor companhia.

Não, não é fácil ser sozinho. Ser sozinho em uma cafeteria, ser sozinho no cinema, ser sozinho em um show. Mas não sair por falta de companhia é um evitar a si mesmo.

Gosto de ir sozinho ao cinema, sempre gostei. Mesmo quando namorando, ia vez ou outra, desacompanhado. Também gosto de ficar sozinho em casa, à noite, com as luzes todas apagadas, ouvindo músicas que tocam ondas de melancolia. Incentivo minha melancolia nesses momentos. Minha melancolia, pessoal e necessária para um outro aspecto do eu sentir a vida, se misturando a melancolias universais, de vozes que cantam dores que, sendo ou não minhas naquele momento, são tão humanas.

A solidão assim é como uma visita ao psiquiatra ou como a um templo. É um despojar-se de si mesmo, com a sensação de estar sendo ouvido, reconhecido, reconfortado.

É preciso saber ser só, para saber ser acompanhado. A solidão, o contato consigo, valoriza a companhia, o contato com o outro.

Quem sabe ser só é exigente com suas companhias, pois não troca sua solidão por companhias vazias, decorativas.

Mas estar só é diferente de estar se sentindo solitário. Solidão é diferente de abandono.

Na melancolia da solidão não há angústia. É em mim mesmo que busco o que julgo precisar, é comigo mesmo com que quero me deparar.

No abandono há dor, angústia. O abandonado precisa do outro para se encontrar, para se encarar.

Às vezes, solidão e abandono se misturam. A solidão mostra o abandono. É triste perceber que se está só por uma espécie de auto-abandono.

Outras vezes a solidão é triste por não ser uma escolha ou fruto do abandono, mas porque se impôs diante da ausência de pessoas por quem valha a pena trocar solidão por companhia. Ou porque a vida é desencontro e os encontros são raros. Nesses momentos é que bate a carência.

A carência é a saudade de si mesmo quando se está amando. Saudade de quem se pode ser, quando se está com alguém que te eleva. E é muito triste estar carente quando se está acompanhado de alguém. Além de ser injusto para com uma pessoa que, se não te desperta amor, te desperta respeito, desejo, amizade, carinho.

Entre sair com alguém para tentar enganar a carência e sair sozinho, mil vezes sair sozinho. Mesmo sem estar apaixonado, deve-se sair com alguém quando se tem algo bom para oferecer. Uma mulher, nenhuma mulher, não deve ser usada para o homem disfarçar sua fraqueza, sua carência, seu abandono. Uma mulher, toda mulher, deve ter ao seu lado um homem concentrado nela, atormentado pelo desejo que sente por ela, com os olhos em poesia pela beleza dela, satisfeito pela admiração que tem por ela.

Está carente? Vá ao cinema sozinho, tome uma cerveja sozinho ou saia com os amigos.

Só convide uma mulher para sair se puder se doar a ela, sem sentir falta de si mesmo ou de outra pessoa enquanto estiver com ela.

Sua companhia não deve ser a bóia que te salva do naufrágio do abandono e da carência.

Steller de Paula

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