Escritos Esparsos

29 de agosto de 2011

Em verdade, ninguém está seguro.

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 4:44

Deitado, tentando dormir, sei que a vida corre lá fora e nem todos estão seguros. Em verdade, ninguém está seguro. Um cachorro late, alguém se esgueira na sombra, uma luz é apagada. E sem essa luz o sorriso de uma mãe nunca mais será o mesmo. Trará sempre o peso de uma ausência.

Aqui, deitado, tentando dormir, penso em meus irmãos, em meus pais, em meus amigos, nas mulheres que amei. Tento protegê-los em pensamento, tento proteger-me do medo de perdê-los. Como a envolvê-los num casulo, queria abraçá-los a todos. Um automóvel desliza pelo asfalto. Sorrisos, juventude e alegria, talvez música.

Uma curva mal feita, uma árvore, o inesperado cortando o caminho. São sons que se calam para sempre. São vozes que não mais cantarão. É o silêncio gritando, é o vazio ecoando nos corações de pais e amigos.

Deitado, tentando dormir, olho pela janela e sinto a noite lá fora, sinto o absurdo a nos cercar, sinto o trágico a nos espreitar.

Meus irmãos dormem, meus pais dormem, amigos dormem, e meu telefone não toca.

Amanhã o sol trará luz, mais uma noite ficará para trás. Mas eu sei que o trágico não se esconde nas sombras. E que o sol também pode, de repente, escurecer.

Deitado, espero que o sono venha e que a noite me envolva com seu poder de aniquilamento, dissolvendo os medos no sonho.

E que o amanhã me encontre confiante na vida.

Steller de Paula

17 de agosto de 2011

Dia do Solteiro

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 2:19

*Ainda não considero o texto terminado, mas como ontem foi o dia do solteiro e fui cobrado, vou terminando e atualizando (quando der coragem)

Ontem foi o dia do solteiro.

Eu estou há quatro anos solteiro. Quatro anos sem ter namorada.

Não ter namorada me permitiu, nesses quatro anos, conhecer algumas mulheres que, apesar de eu não tê-las amado com a intensidade com amei minhas ex-namoradas, foram e são importantes para mim. Mulheres a quem dei atenção, carinho, alegria. Mulheres a quem aprendi a admirar e com quem passei a me importar. Mulheres com quem, acima de tudo, mantive uma bonita amizade. Talvez, para algumas, tenha sido insuficiente, tenha me doado pouco. Mas só eu sei o afeto que elas me despertam e a forma como cada uma me cativou e vai estar presente no que eu sou.

Não ter namorada me permitiu conhecer novos lugares, sair sem cobrança, ciúmes, poder viajar e curtir muita coisa sem preocupação e sem ter que dar satisfações.

Muito bom, você deve estar pensando, aproveitou bem a solteirice!

É aproveitei. Mas, pensando agora, lembro das várias vezes em que fui a uma balada e, lá chegando, pensei que preferia estar ali curtindo a noite com alguém especial a estar só e ter a possibilidade de ficar com alguém. Lembro que algumas vezes minha companhia foi o vazio, a ausência.

Ter namorada é ter a quem mimar, a quem querer proteger da vida.

É pensar constantemente em formas de surpreender, de encantar, de adoçar o dia.

Ter namorada é precisar ter os ombros largos para suportar e aliviar as dores dela.

É precisar ter uma piada pronta, uma brincadeira que a distraia e a faça esquecer os problemas, as cobranças, as pressões.

Ter namorada é precisar saber caçar nuvens para trazer sombra a ela e permitir que ela se deite na grama e cochile, cabeça acomodada em meu peito.

Ter namorada é ter um cheiro específico que me faz procurá-la onde quer que eu esteja, é senti-la no vento, é ser invadido, pelas narinas, de carinho, desejo e lembranças. O cheiro da namorada é presença viva, que arde, que prende, que enfeitiça.

Ter namorada é viajar e ter saudade, é sentir que falta um par de olhos, que meus olhos, apenas, são insuficientes para ver, como se faltassem cores que só os olhos dela me fazem enxergar.

Ter namorada é conhecer os gostos dela, é saber que tipo de comida prefere, quais os lugares para onde ela adora ir, é ver um livro e lembrar dela, é ver um cd e lembrar dela, é ver uma saia numa vitrine e saber o quanto ela adoraria tê-la.

Ter namorada é não conseguir facilmente terminar um abraço, encerrar um beijo, interromper um carinho.

Ter namorada é sentir a necessidade incontrolável de mais um abraço, de mais um beijo, de uma união indelével e bela como as das cores da aurora, a ponto de duas peles tornarem-se uma só pele, de dois carinhos um só carinho, contínuo.

Steller de Paula

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