Escritos Esparsos

14 de fevereiro de 2012

O Acordar sem Ti

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 1:11

Hoje acordei e, mais que nos outros dias, te quis deitada ao meu lado, a cabeça no meu ombro, os cabelos espalhados pelo meu peito, como um manto a me proteger do frio da manhã que nasce e da solidão que fatalmente chegará.

Hoje acordei e não te tinha, mas o frio e a solidão da manhã sem ti logo evaporaram ante a lembrança de que mais tarde nos veríamos; e foi como se os raios de sol que entravam pela minha janela já te trouxessem um pouco para perto de mim: a certeza de seu abraço futuro era já um calor, uma quentura, um querer bem.

Então dei-me conta de que logo tu estarás de partida e eu me verei privado de tua beleza e de teus encantos, de tudo o que aprendi a amar nessas nossas idas e vindas, repletas de contentamentos e saudades. O frio voltou e para combatê-lo precisei enrolar-me em lembranças tuas, lembranças nossas, lembranças dos primeiros encontros, da surpresa de me sentir tão bem na tua companhia, de me flagrar cada vez mais absorto em teus olhos, envolvido nos teus cheiros, o cheiro do teu cabelo, o cheiro escondido no teu pescoço, o cheiro do teu sorriso.

Sorri lembrando de como nossos primeiros beijos eram para mim uma confusão de sentidos. E eu queria te beijar sorver teu gosto me perder nos teus cabelos contemplar o castanho dos teus olhos sentir o cheiro da tua respiração, tudo ao mesmo tempo, tudo naquele momento efêmero e eterno de um beijo, enquanto o mundo torna-se apenas o contato do meu corpo com o teu.

Gosto tanto do cheiro da tua respiração, meu amor, do mistério que ele encerra, de interromper o beijo e ficar ali, aspirando o ar que, ofegante, tu expiras.

Logo levarás teus cheiros para longe de mim e eu os buscarei na brisa marinha que vem de outros continentes, no pólen que as borboletas recolhem das flores e espalham no ar, buscarei os teus cheiros no meu cheiro, na minha pele, no meu sono.

Ontem eu fui dormir te querendo aqui comigo. Uma noite de sono não mudou isso. E, mesmo sem ti, tua presença é tão constante que eu sinto que os meses que irás passar longe do meu abraço não mudarão isso. O amor e a saudade não se medem em km.

Steller de Paula

10 de fevereiro de 2012

O amor se nutre de pequenos gestos

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 4:38

Eu aprendi cedo que devemos prestar atenção ao que as pessoas fazem, não ao que elas dizem. Muitas palavras ditas e dadas a mim como favos de mel tinham o gosto amargo da promessa não cumprida.

Então, nada mais justo que eu tenha aprendido a demonstrar meu carinho, meu afeto, meu amor através de gestos, mais do que com palavras, embora saiba que mulher adora e precisa ouvir que é amada.

Meus relacionamentos me ensinaram o poder dos pequenos gestos, de um cartão inesperado, de uma única rosa num dia qualquer, de abrir a porta do carro, de mandar uma mensagem carinhosa no meio do dia, do trabalho, da aula. Num relacionamento, o pequeno gesto de atenção, de carinho, é o orvalho banhando a pétala antes do primeiro raio de sol, é a brisa acarinhando a folha, é a estrela fazendo companhia à lua minguante. É leve, é sutil, mas fala mais que um punhado de palavras.

Talvez, ter aprendido isso, tenha me feito gostar de manifestações de carinho, públicas e particulares, meio que pequenas provas de que as palavras são verdadeiras, têm peso.

Gosto de abraços e beijos em qualquer circunstância: no restaurante, na fila pro cinema, depois de atravessar a rua. Não suporto quem em público tem vergonha de manifestar carinho, só beija tocando superficialmente os lábios, que sussurra o “eu te amo” como se fosse um segredo,  como se mostrar que gosta fosse ofensa.

E não é pelo fato de ser homem que não gosto de ganhar um presente, de saber que alguém viu algo, lembrou de mim e comprou. Não é por que faça questão de pagar a conta sempre e adore mimar com presentes que não vá ficar feliz com um cartão, um chocolate, uma visita surpresa, um programa planejado e executado não por mim, mas por ela.

Gostar de se sentir amado não é uma questão de gênero, nem de carência. Namorar não é só beijar, abraçar e dizer que ama. Requer atenção, cuidado, zelo, sacrifícios. Pra quem ama não basta ouvir que é amado. O amor tem que ser sentido na pele, no arrepio dos pelos da nuca, no compasso do coração admirado e surpreendido, no suor e na saliva. Grandes provas de amor não são constantemente oportunas; pequenos gestos de amor são essenciais.  “Eu te amo” é bom, mas não é suficiente.

Steller de Paula

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