Escritos Esparsos

29 de junho de 2012

A Saudade Caminha ao Meu Lado

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 2:32

Às vezes a saudade deita ao meu lado na cama, e eu sinto o seu peso no meu ombro. Às vezes ela caminha comigo ao meu lado, sorri para mim quando passo em frente de determinados lugares. Ela sempre, sempre, puxa a manga da minha camisa e me aponta o outro lado da rua quando estou indo para o trabalho, indo para o futebol, indo para o shopping ler – há uma rua onde a saudade está sempre na esquina, me pedindo carona. Tentando fugir, fui à praia caminhar, final de tarde. A saudade sentou ao meu lado, estendeu uma toalha branca, me serviu uma taça de vinho e deitou a cabeça no meu colo. A saudade tem caprichos, me impede de ir a determinados lugares, não me deixa voltar a certos locais. Às vezes a saudade embaça meus olhos, não me deixa ver direito as cores que há no dia. Às vezes ela passa o dia sem aparecer, e eu penso que tudo vai voltar ao normal. Então eu chego a casa, tomo um banho, deito e escuto seus passos. Ela vem, passa a mão pela minha barba mal feita, toca de leve meu peito e deita ao meu lado, cantando baixinho as músicas que devo escutar. Eu sinto seu peso em meu ombro. Ela me embala. Mas eu demoro muito a dormir.

Steller de Paula

13 de junho de 2012

O amor, um sonho.

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 3:37
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Uma noite, eu era criança, estava pelos meus oitos anos, tive um sonho tão bonito, tão alegre!

Sonhei que estava numa praia, em um dia de sol claro e mar calmo. Comigo estava uma garotinha pouco mais nova que eu, morena, cabelos ondulados, riso franco. Lembro que ela tinha uma pequena cicatriz no queixo. Eu nunca a vira antes, mas ali, no sonho, nós éramos amigos. Era uma amizade de uma vida, de outras vidas, uma amizade cheia de certezas.

Nós corríamos pela areia, juntávamos búzios e pedrinhas, ríamos e brincávamos como só as crianças e os casais apaixonados sem medo do ridículo sabem fazer.

Não havia mais ninguém ali, só nós dois. Mas era como se alguém com um amor de mãe nos vigiasse e protegesse, tal era a sensação de segurança.

Lembro-me de termos parado diante do mar, fitando aquela imensidão incompreensível para duas crianças, tão incompreensível como o que eu sentia ao lado dela. Lembro-me de ela segurar minha mão, seu calor mais intenso que o do sol que nos banhava, e me olhar com um sorriso. Então ela diz: “Eu vou estar aqui.”.

E antes que eu pudesse entender, acordei. Na escuridão, a procuro, tento reter o sol, o mar, sua mão na minha, seu sorriso. Um vazio foi tomando conta de mim, uma sensação que, na época, eu não sabia explicar, nomear… era saudade, era meu coração pequenininho, e todo eu, todo eu repleto de uma ausência que me angustiava.

Chorei, um choro forte, um choro de abandono. Minha mãe correu até meu quarto, me abraçou no escuro, me consolando: “Tá tudo bem, filhinho, tá tudo bem, foi só um pesadelo.”

E eu pedi: “Mamãe, ela se foi, trás ela de volta pra mim!”

Nunca mais, depois daquele dia, a sensação de que algo faltava me deixou, nem tive outro sonho tão vivo, tão forte. Então eu te conheci. E, apesar de ser noite quando saímos a primeira vez, rimos, conversamos e eu vi aquele sol, eu vi aquele mar, eu senti aquela segurança.

Era meu sonho se realizando, era aquela garotinha vindo pra mim novamente. Então o vazio finalmente se foi. A sensação de que algo faltava me deixou, porque não faltava mais nada.

Não, não é que você me complete. Não há isso de duas metades e a gente nunca pode estar completo, algo sempre nos tem que faltar, para que a gente siga em frente, siga buscando. Mas antes de você, entre aquele sonho e o dia em que você surgiu pra mim, era como se eu buscasse coisas impossíveis, sempre impossíveis.

Hoje, eu sinto que tudo é possível, pois você veio e agora o essencial já está aqui. Hoje, o que eu mais quero buscar é um modo de te fazer feliz, de o meu sorriso refletir o teu sorriso, de aprender a curar qualquer dor que possa vir a magoar teu coração. Hoje, o que eu mais quero é buscar um modo de a gente ficar junto, dia após dia, superando todos os desentendimentos, todas as dificuldades. Porque eu sei que estando contigo, sua mão na minha, o que quer que eu conquiste vai ter mais significado, mais valor, um valor que só seus olhos, seu sorriso poderão dar, e que qualquer coisa que falte não fará tanta falta, pois você ainda estará aqui e nós seremos sempre duas crianças brincando em frente ao mar.

Porque eu não posso, eu não sou capaz de sentir novamente aquele vazio, aquele aperto no peito, aquela sensação de uma perda irremediável, porque eu não suportaria, depois de viver contigo, acordar do sonho, olhar pro lado e não te ver.

4 de junho de 2012

Acasos, escolhas e destino.

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 6:24

Um dia qualquer, desses em que o Sol não brilha nem mais nem menos e você, quando anoitece, nem lembra que uma lua habita o céu esperando que se dê significado à sua beleza, um amigo te liga, te convida pra sair, vão umas garotas. Aceito: fim de ano, ano corrido, trabalhoso, sempre bom sair, uma boa música, um bom papo, conhecer gente nova. Enquanto me arrumo, pensando no que pode vir a ser, nem sequer imagino que naquele convite, na minha aceitação, na disposição das cadeiras espalhadas ao redor da mesa, numa série de circunstâncias ínfimas espalhadas pela vida como poeira soprada pelo destino, eu encontraria um amor.

A vida brinca com a gente? A gente brinca de viver e faz de conta que controla? Talvez exista um Deus lá em cima, imperceptivelmente, dispondo as coisas nessa roda-viva do modo como a gente precisa. O certo é que cheguei e ela está lá, Deus, destino, acaso, sorte, cheguei e ela está lá sentada na mesa ao meu lado, meus olhos postos nela, nos seus olhos de um mel tão doce que a penumbra não me deixava enxergar, mas que eu sentia, e tão linda ela estava!

De lá pra cá não consegui sair de sua órbita. Para o bem ou para o mal estou com ela, pensamento nela, cuidado com ela, amor por ela. Suas dores são minhas, ferem minha pele. Suas vontades são minhas, ansioso por realizá-las. Seus sonhos são meus, projetos que fico a imaginar como ajudar a por em prática – meu amor, deixa eu dormi no teu sono, te proteger dos pesadelos, diminuir os teus medos, conhecer os teus sonhos, fazê-los crescer, ganhar o mundo, embelezar ainda mais tua vida.

Muito tempo, tanto tempo, uma vida, e foi ontem. São coisas que o tempo não é capaz de medir, uma intensidade que as estações não mensuram. E por dias e dias o Sol brilhou e tudo foi uma primavera de flores, pássaros e seus cantos, música e poesia.

Mas o medo de perdê-la outoneceu tudo, folhas murcharam, flores morreram e a voz que cantava calou no meu peito, só sabia sofrer. E por vezes tudo foi inverno. O medo, a intolerância, o medo, as diferenças, o medo das diferenças e da intolerância, tudo a afastava de mim. E foram dias embaçados, eu andava carregado de tristeza e quem amou e viu de perto o fim sabe bem o peso que vergava meu corpo e obscurecia a poesia do meu coração.

Um ciclo, a vida é um ciclo e ciclos se completam e depois do outono, o inverno, até que a primavera o sepulte.

As folhas caiam, as flores morriam e eu lutava por ela. O medo gritava em seus ouvidos e eu buscava uma poesia, um canto, o bater de asas de uma borboleta, qualquer coisa que pudesse calar o medo que gritava. Dia após dias, nesses dias todos, eu a escolhi. Não foi fácil, houve dúvidas, houve tentações, a facilidade sorriu pra mim várias vezes, desde que eu a deixasse. Eu também tive medo. Mas dia após dia, nesses dias todos, eu a escolhi.

O dia dos namorados está chegando. Hoje eu penso em como meus dias teriam sido um tanto descoloridos, caso eu não tivesse aceitado aquele convite de um amigo, caso ela não tivesse ido, caso a ordem das cadeiras fossem diferentes e a distância, outras pessoas, outras conversas, não me tivessem permitido perceber a beleza que mora nela, dentro dela, o coração lindo que é ela toda. Sim, pernas, olhos, cabelo, sorriso, todo um corpo que me enche de admiração também é ela. Mas não é o corpo apenas que me faz ter vontade de cuidar, de mimar, de proteger, de estar sempre junto. É um tudo, é um todo, é um misto de coisas que não se explicam, que não trazem receita, que não aceitam rótulos e que muitos chamam amor.

Feliz dia dos namorados, meu amor, hoje, ontem e amanhã.

Steller de Paula

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