Escritos Esparsos

30 de julho de 2012

Das Coisas que o Amor Ensina

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 1:09

De há muito aprendi que o amor não se mede em escalas e que dois amantes não se amam igualmente. Aprendi que apenas o amor não sustenta um relacionamento, pois, às vezes, um temporal nos colhe; e os fios que amor engendrou para coser corpo com corpo, carinho com carinho, sonho com esperança, passado com presente, fazendo com que dois se sentissem um, se mostram frágeis.

Também aprendi que nem todos sabem amar, que o amor, aquele amor feito de doação e entrega e de coração posto em cada ato, em cada escolha, não é pra todo mundo. Alguns apenas se deixar amar, acomodam-se e hibernam no colo do amor que lhe devotam.

Com o tempo, percebi que algumas pessoas precisam perder para poder ganhar, pois só o tempo e a distância vão mostrar o valor daquilo que perderam, daquilo por que não lutaram. Então o amor se foi, pois há vezes em que o que se desfaz num só momento é irrecuperável. Entretanto, para estes que valorizam depois de perder, o aprendizado, a dor, a culpa, podem ser um fértil terreno onde se planta a renovação, o crescimento.

Aprendi lendo, vendo, ouvindo. Mas aprendi, sobretudo, vivendo, amando, perdendo, sofrendo, seguindo em frente ainda em busca de amor, que o amor é um moto-contínuo.

Recentemente, vi os fios que coseram meu amor a outro se tornarem fiapos diante de um temporal de desatenção, de medo, de insegurança. Então eu caminhei pela outra margem do mundo, muitas vezes buscando sombras para me esconder, que eu não queria receber os amigos com dor e um aperto de mãos, com decepção e dois beijinhos no rosto, com um punhado de tristeza.

Não era a primeira vez que, por conta do Amor, meu sorriso era uma máscara, sabia que não seria a última. E foi desse saber, desse conhecer sofrimentos passados que eu retirei o material para me reconstruir a partir dos fiapos que ficaram, pois eu já havia aprendido também que a vida inventa, que a vida é mágica, que sempre é possível se fazer o amanhã melhor que o ontem. Eu já havia aprendido que o imponderável nos cerca e que o acaso pode estar na próxima esquina.

E num dia desses, quando eu já me perguntava onde estaria o caminho para eu deixar a outra margem do mundo, a margem dos que sofrem, dos que sentem saudade como quem sentem dor, virei uma esquina qualquer e o acaso colocou lá um sorriso.

Tu foste uma grata surpresa, um sopro de brisa, um canto de pássaro apontando o caminho onde nasce o sol.

Havia luz no teu sorriso, teu sorriso resplandece, e, sem perceber, eu me pegava sorrindo e percebia que não havia mais máscara. Se olhava pro lado e me via mergulhado em teu sorriso largo, lindo, alegre como um campo de trigo acarinhado pelo vento, era como se a paz reinasse e não houvesse injustiça, nem decepção, nem solidão.

Por um dia eu só andei onde havia luz, mergulhando em teu beijo, molhado de orvalho, absorvendo teu cheiro de mel derramado, esperando o por do sol para ver as cores do ocaso resplandecendo em teus cabelos.

Um só dia andamos juntos, mas me trouxeste de volta a um mundo de cheiros, de cores, de sensações; e por isso te agradeço.

Meu caminho cruzou com o teu e, num momento, algo se fez. O que se desfaz não cabe no infinito, mas o que se faz cabe.

Steller de Paula

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28 de julho de 2012

Paraíso e Pecado

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 18:52

Mulher, teu nome é tentação. Teus olhos claros fazem o errado parecer certo, o proibido parecer necessário, o impossível parecer inevitável. Tua voz doce de menina em corpo de mulher traz o gosto do vício, um som que aprisiona. Em toda frase tua há entrelinhas que desorientam. Eu tento fugir, eu tento escapar, mas você me tenta e imagino o gosto de pecado que devem ter teus lábios, gosto de maçã, e me deixo enredar em tuas tramas, em teus jogos de sedução que eu enxergo tão claramente e, finjo não ver. Me faço de santo, mas o que quero é pecar mergulhado no paraíso dos teus lábios, emaranhando-me em teus cabelos, sendo queimado pelo calor do teu toque.
Steller de Paula

14 de julho de 2012

Aqui me despeço.

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 1:56

*Mais um texto que precisava ficar um tempo dormindo até ser publicado. Escrito em junho de 2011.

Menina que me surpreendeu e encantou pela doçura escondida nesta pose de rainha,

Tu dormiste tantas noites aqui comigo – trazida pela saudade – no meu pensamento, no meu peito, no meu carinho, nas minhas sensações, com minha pele lembrando a tua, com teu cheiro ainda a me envolver.

Sei que ainda dormirá umas tantas vezes, mas não será apenas o teu corpo, o teu cheiro, o teu peso que eu quase poderei sentir no meu peito. Mais pesado que tudo será a dor da pior saudade, da saudade do não ter amanhã, mais pesado será a sensação de que tudo isso está de alguma forma errada, de que é de alguma forma injusto. Mais pesado e palpável agora será o vazio. Tu habitarás esse vazio em mim.

Porque, nesse tempo em que estivemos juntos, vocês foi minha companhia mais constante, no trabalho, em casa. Mas, para mim, foram poucas as vezes em que estivemos juntos, pois foram tão poucas se comparadas ao tamanho do meu amor por ti e pelo tanto de tempo em que ocupaste meus pensamentos nesse período. O amor não se mede em horas, dias, meses.

Pensar em você, lembrar você, mandar uma mensagem, querer e querer e querer estar com você deu mais vida, mais cor, mais sentido, mais leveza aos meus dias normalmente tão cansativos. Falar com você no fim da noite retirava o peso do dia dos meus ombros e eu podia dormir mais leve.

Há vários tipos de amor, menina. Mas alguns bem específicos. E você me fez bem como há muito tempo alguém não me fazia. Estar com você, querer estar com você, querer poder apresentá-las aos meus amigos, conhecer seus amigos, querer te trazer mais para minha vida, para minha rotina, a vontade de fazer coisas ao mesmo tempo tão pequenas, mas tão significativas, como deitar com você no meu peito e passar a tarde vendo filmes que eu adoro e que eu queria tanto que você conhecesse, a vontade de fazer compras com você do meu lado, me dando opinião, me ajudando a escolher um óculos escuros (que ainda não comprei porque tinha uma esperança idiota de que ter você logo logo comigo para me ajudar a comprar), a imensa vontade de poder ir ao cinema com você a qualquer hora, de mãos dadas, sem medo de ser visto, a certeza desde o começo de que passaria esse ano inteiro com a mesma vontade de te ter e de no ano seguinte só ver essa vontade aumentar e crescer, tudo isso me dá a certeza de que o tipo de amor que senti por você é um tipo bem específico de amor e bem difícil de sentir. Um tipo de amor que tinha tudo para crescer, para nos fazer crescer, para ser marcante e transformador como só um grande amor pode ser.

Mas não era para ser.

E precisaremos aprender a não ter o convívio, a não ter o carinho, a não ter o beijo, o cheiro, o cinema escondido, as conversas antes de dormir. Precisaremos aprender a nos manter distantes e a lidar com o desejo constante de ter tudo isso. Precisaremos buscar em outras pessoas alívio para esse vazio, para essa ausência, para essa saudade que dói. Precisaremos buscar em outras pessoas aquilo que tínhamos. E isso é tão triste, é tão triste, é tão triste. Como vai ser triste quando um de nós encontrar… Ainda temos um tanto de tristeza pelo caminho, menina.

Eu sei que esse vazio, essa dor, que sinto agora, um dia vai passar. Mas sei que a saudade não passará. Sei que sempre que pensar em você, sempre, serei inundado de afeto, de boas lembranças e nostalgia. Mais ainda porque o que a gente tem, o que a gente sente não acabou e talvez não acabe: pode ser escondido pelo tempo, pela distância, pela rotina, pela presença de outras pessoas em nossas vidas. Mas vai ficar em algum lugar e a, qualquer momento, um cheiro, um lugar, uma música, uma situação, um vislumbre, se materializará em saudade, em uma ausência viva, quase corpórea.

Então aqui eu me despeço, sabendo que o que a memória ama se eterniza e que eu te levo no meu modo de amar, que o que vivemos me fez melhor e que tudo, no fim das contas, só me fez bem.

Até!

Steller de Paula

Lembranças em Fragmentos

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 1:35

I.  Para ela não havia futuro. O futuro era, quando muito, o final de semana; e o hoje devia ser sugado, sorvido, devorado, fruta madura demais, às vezes doce, às vezes amarga, mas sempre no limite de sua madureza, e ela se entregava com voracidade ao sabor.

Com ela tudo era pele e toda a pele era desejo. Fácil ela esquentava e fácil me esquentava, e seu beijo fumegava meu corpo, seu suor escaldava minha pele. Nossos corpos mantinham uma comunicação autônoma, decidindo, sem nos consultar, quando e onde se encontrariam. Adoravam o inusitado e sempre flertavam com o perigo, nossos corpos. Ela era o perigo, o perigo intenso demais, o perigo instável demais.

II. Seus olhos pareciam reter a luz durante o dia para se manterem brilhando durante a noite; brilhando enquanto lia, enquanto ria, enquanto falava, atraindo os olhares para si, brilhando enquanto fazíamos amor, dois pequenos faróis em meio a face vermelha de prazer. Ela tinha uma órbita própria e gostava da atenção que despertava. E meus olhos eram sempre dela, ora admirando, ora despindo, ora confortando.

Mas seus olhos brilhavam, principalmente, quando ela falava do futuro. Para ela, o presente era como uma estação de trem, ora vazia, ora agitada, mas ela sempre a espera do trem que passasse e a levasse.

Steller de Paula

11 de julho de 2012

“Aquele peso em mim, meu coração.”

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 2:42

– Como tá seu coração?

– Sinto uma saudade da porra dela. Em alguns momentos mais que em outros. Mas sei que uma hora passa e vou tentando abstrair. Espero que passe logo, porque é chato pra caramba e incomoda. Às vezes é como um espinho entre a uma e carne, entende? Principalmente à noite. É assim.

– Imaginei que estivesse assim.

– Mas eu não quero fugir das lembranças. Eu só quero força de vontade pra não ligar, não procurar. Força pra não maldizer, não sentir ciúmes. Força pra ficar feliz com a felicidade dela. Pra sorrir com as conquistas dela, mesmo sem estar do lado pra comemorar junto. Pra deixar o que a gente viveu como um sonho… um intervalo de cor nessa vida que às vezes é tão descolorida… Só quero que a saudade eu não sinta como um nervo inflamado.

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