Escritos Esparsos

27 de agosto de 2012

Guardado pra um dia virar um texto

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 3:14

Sabe pq no domingo a vida costuma doer mais? Porque você o passou sem um amor, que um amor colore até um fim de domingo.

Steller de Paula

E pra quem veio até aqui e não encontrou o texto, ficam de brinde:

 

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Quando o Corpo é Todo Sensação

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 1:00

Antes de sair com uma mulher, me preparo para uma espécie de ritual, no qual todos os meus sentidos serão explorados, exigidos, contemplados.

Não importa o lugar, se no quarto onde se dorme, se no motel, se no carro… sexo é como uma sinfonia de gostos , cheiros, sons e imagens e é preciso que o homem esteja atento para sorvê-los e dedicado a despertá-los.

É idiota o homem que não gosta de preliminares, que não aproveita o momento de tensão e tesão que se cria antes daquilo que ambos sabem inevitável.

A mulher valoriza as preliminares porque ela sabe que o sexo não precisa ser só físico, que o desejo é mais forte e que o corpo responde melhor quando o sexo é também psicológico, quando há um envolvimento.

Há quem diga que com pouca intimidade é difícil criar envolvimento. Há quem diga que, com o tempo, a intimidade cria obstáculos a esse tipo de envolvimento, que o sexo vira rotina, que se automatiza. Esses não sabem se entregar ao momento, não sabem cumprir o ritual, valorizar a descoberta, cultivar as sensações.

O ritual de tirar a roupa dela lentamente, peça por peça. O de descobrir cada cheiro escondido, cada um diferente do outro – o cheiro do cabelo, o cheiro guardado pescoço, o cheiro da respiração dela, aquele cheiro de suor misturado ao perfume que se acolhe no espaço entre os seios, o cheiro do sexo. Uma mulher te pega pelo cheiro. E se entregar a esses cheiros durante as preliminares é como lamber o sal antes da dose de tequila, abre as papilas gustativas e te prepara para o melhor, para o sabor e o calor, para aquela experiência abrasiva que te deixará quente e tem o poder de te deixar inebriado.

Então é um passeio de lábios e língua por gostos marcantes, gosto de pele, de saliva, de gozo, gosto de mulher, de paixão, gosto de larva fervendo.

A mulher deve ser beijada intensamente, explorada, sorvida. Só de vê-la – ruborizada, arfando, mordendo o lábio, cerrando os dentes, perdida em um mar de sensações – é a doçura do chocolate explodindo no céu da boca.

E não há som mais belo e ao mesmo tempo lancinante que o gemido da mulher envolta em desejo, entregue ao prazer.

Fazer sexo é se dar conta de si mesmo de uma forma única, se dá conta de sua corporeidade, é conhecer o outro em um momento fugaz, é se conectar com o paraíso, um lugar de sons, perfumes, cores e sabores. Se deixar levar assim, pelos sentidos, pela emoção é fazer do toque um abraço, do abraço um caminho, do encontro de dois sexos uma comunhão. É se reconhecer humano, sentindo o gosto da eternidade. É se reconhecer humano, e agradecer por isso.

Steller de Paula

*P.s. Às vezes o desejo exige a pressa, o improviso, e até o chão vira cama, a lentidão abre espaço para a intensidade, para uma espécie de vontade de se integrar ao outro, uma ânsia de sentir o outro. Tudo é rápido, forte, intenso, para depois descansar na calmaria do abraço.

23 de agosto de 2012

Amores Não São Descartáveis

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 3:17

Dentre os vários versos marcantes da poesia de Drummond, um eu sempre destaco em minhas falas sobre ele: “As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.”.

Hoje, mexendo em gavetas por aqui, acabei abrindo compartimentos da memória. Há pessoas que, quando terminam um relacionamento, a primeira coisa que fazem é se desfazer de tudo que lembra o outro, algumas chegam ao absurdo de devolver os presentes recebidos. Isso é feito quando não se sabe lidar com a perda, quando a dor supera as boas lembranças, quando ficou algum tipo de mágoa. Eu não. Eu guardo tudo, fotografias, presentes, resto de perfume que fique na minha casa, peças de roupas, presilhas de cabelo… todas as coisas consideradas em ênfase, todas impregnadas de memória afetivas, lembranças materiais de um amor bem vivido, significativo, mesmo que tenha chegado a um fim.

É incrível o poder de guardar que certas coisas possuem. Não só coisas, mas também cheiros, músicas, lugares. Não há como sentir certos cheiros sem se sentir a presença quase física de alguém; como ouvir determinadas músicas e não sentir um nervo arder, um sentimento guardado reaparecer; como visitar alguns lugares e não ser imediatamente transportado a um outro tempo, a uma outra vida, a um amor antigo. E os cheiros, as músicas, os lugares deixam um gosto de nostalgia na boca.

Não é ruim sentir saudade. A saudade mostra que o que vivemos foi bom, que valeu a pena, que ficou uma marca. A saudade é o sentimento se fazendo pele. Um grande amor que termina sempre deixa uma cicatriz. E eu sei que amei quando percebo que certas coisas estão impregnadas de sentimento. Quando não consigo me desfazer de uma camiseta velha, dada a mim de presente, por mais que ela esteja velhinha, rasgada.

E eu deixo as fotografias ao alcance da mão, fáceis de achar no computador. Não, não sou masoquista! Cada vez que as vejo elas me levam de volta a um tempo repleto de amor, de carinho, de companheirismo, de felicidade. A ardência que a saudade traz é um preço a se pagar, mas que vale a pena ser pago diante da lembrança de que o amor existe e que já me tocou, diante da esperança e da vontade de ser tocado por ele novamente.

A paixão sempre foi um combustível. Apaixonado, a vida tem mais cor, mais ritmo, mais beleza. Por que negar a lembrança de antigas paixões. Não é preciso apagar o que passou para escrever um novo capítulo. Amores não são descartáveis.

Não tenhas medo de andar de mãos dadas com a saudade, de dormir embalado pelas lembranças de sentir o que já se foi por baixo da pele, na luz do sorriso, por sobre as retinas, circulando na boca misturado à saliva. Pode até doer, mas te mostra que estás vivo, que há vida em teu passado, que teu caminho foi repleto de bons sentimentos. É melhor que uma vida morna, que viver dormente.

Steller de Paula

13 de agosto de 2012

Meu pai em mim.

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 3:01

Hoje foi Dia dos Pais. Eu mandei uma mensagem para o meu. Foi o que consegui fazer, mas nem sei se ele recebeu.

Hoje, por acaso, escuto Elvis Presley cantando Bridge Over Troubled Water, e foi como se tivesse voltado à infância. A música tocando e eu me vendo deitado em uma rede, numa tarde qualquer há muitos, muitos anos, com meu pai, ouvindo essa música tocar.

Eu tenho muita sorte por ter os pais que tenho.

Minha mãe é mãe na maior e mais sublime acepção do termo. Foi mãe, foi pai, esteve sempre presente, sempre. Minha mãe encarna o sacrifício por amor a seus filhos. E, faça o que fizer, sempre serei um ingrato diante disso. E eu faço tão pouco…

Eu queria ser mais parecido com minha mãe, mas sou muito parecido com meu pai, para o bom e para o ruim.

Meu pai sempre foi exemplo, durante muito tempo, do que fazer. Depois, do que não fazer da vida.

Quando penso em muito do que tenho de bom, lembro de imagens do meu pai na infância. É ao meu pai que devo a educação e a delicadeza com que trato as pessoas no meu dia a dia; é a meu pai que devo o meu gosto pela leitura, ele que, diariamente, me trazia uma revistinha da turma da Mônica, logo que aprendi a ler; é a meu pai que devo a ideia do pai presente na infância que quero ser para meus filhos.

Quando lembro minha infância, meu pai está sempre presente: me ensinando ler e a contar antes de eu ir para a escola, corrigindo minhas tarefas todos os dias, me colocando para dormir e cantando Raul Seixas enquanto me embalava. Quando penso no pai que quero ser, lembro do meu pai acordando de madrugada para trocar a fralda dos meus irmãos menores, para fazê-los voltar a dormir, acordando para fazer o mingau deles, mais tarde vestindo-os para levá-los à escola. Esse pai que quero ser, um pai que é um pouco mãe.

Lembro meu pai, através de exemplos, me ensinando o respeito aos mais velhos. Lembro meu pai me ensinando que não devo me deixar pisar sem reagir – “No dia que você apanhar na rua sem reagir, apanha na rua e em casa.” Um dos melhores conselhos que me deu, pois nenhuma dor física dói mais que a dor da humilhação, da indignidade.

Com meu pai aprendi a solidariedade. Mas depois aprendi que não devo ser solidário como ele. Meu pai se tiver apenas uma camisa e vir alguém sem nenhuma, dá a que tem. A solidariedade do meu pai, sua ingenuidade, seu dedicar-se aos outros, muitas vezes mais que a si mesmo, não lhe trouxe boas conseqüências, nem a seus filhos. E meus irmãos menores hoje sofrem pelo que meu pai plantou.

Mas eu muito agradeço a ele pelo homem que sou, pelo homem que desejo ser, pelo homem que tento ser e pelo homem que evito ser.

Hoje não vejo muito meu pai, nem conversamos como antigamente. No entanto ele anda comigo no meu modo de agir, no meu jeito de gostar de crianças e me encantar com elas, na minha honestidade, no meu orgulho, no meu desejo de ser pai.

Espero que meus filhos tenham a sorte de ter em mim o pai que tive na infância. Não um pai amigo, mas um pai que está presente, que cuida, que participa, que protege, que ensina com exemplos mais que com palavras, mas, sobretudo, um pai que ama, que abraça, que beija, que exigia beijo na frente dos meus amigos, quando ia me deixar na escola e que, ao perceber minha vergonha, exigia mais um beijo e mais um e mais um, até eu perceber que amor e carinho nunca são motivos de vergonha, muito menos de pai e mãe.

Obrigado, pai, pelas surras, pelos castigos, por sempre exigir mais, pelos exemplos, bons e ruins. Obrigado pelo cuidado, pela proteção, pelo amor.

E desculpe eu ser tão parecido com você às vezes, e ser tão diferente.
Steller de Paula

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