Escritos Esparsos

16 de fevereiro de 2013

Menina-poeta

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 7:50

253523

“Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
que entornas no chão”

Há pessoas que nascem para ocupar pouco espaço, pessoas que nascem para deixar poucas marcas, pessoas que pouco chamam atenção.

Mas há pessoas como tu. Pessoas que nascem para estar em evidência, para o bem e para o mal.

Como manter-se alheio a ti? O olhar no teu, um rasgo de beleza, farpas de beleza, a beira do precipício.

És mulher. Teu corpo: é sensação. Os homens não te entendem. Querem-te pura, querem-te imaculada, isenta de pecados.

Teu pecado é viver. Teu pecado é ter um corpo para amar, um corpo amante, um corpo amado.

És menina. Tua alma: é cândida. Os homens não te entendem. Querem-te impura, querem-te carnal, repleta de malícia.

Tua salvação é sonhar. Tua salvação é tua crença na bondade, teu choro fácil.

Assusta-me a mulher em ti. Assusta-me a menina em ti. Mas és poeta. E assim eu te entendo, e assim eu te quero.

Teus olhos ferem, teu corpo atiça, tua alma encanta. E a poesia brota de ti para alimentar os homens que não te entendem.

Não nasceste para ficar na sombra. Não nasceste para ser compreendida. Não nasceste para salvar.

Nasceste para o Sol abrasador. Nasceste para deixar marcas. Nasceste para tentar.

Nasceste para te perderes em ti mesma.

Nasceste para te encontrares em tua poesia.

É lá que te busco, na tua poesia, não na incompreensão dos homens; lá e nas farpas amarelas dos teus olhos; lá e na lembrança do teu corpo.

Steller de Paula

Anúncios

13 de fevereiro de 2013

Ame e Respeite

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 15:03

Ame

Só o amor é capaz de enfrentar de igual para igual o medo, o medo de envelhecer, o medo de ficar sozinho no escuro, o medo da morte. Só no amor, na vida compartilhda através do amor, podemos nos refugiar contra o medo.

Steller de Paula

 

10 de fevereiro de 2013

O olhar que vai além

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 7:34

Gustave Moreau - Galatea

Aproveitando meu carnaval como um dia qualquer, lendo no café da Saraiva, tive minha atenção despertada por um casal de namorados sentados na mesa em frente à minha.

Sentado próximos, mãos se tocando com frequência, beijos discretos mas carinhosos… um casal de namorados. Ao vê-los, lembrei-me de um texto que havia lido em sala há alguns dias, da Rachel de Queiroz. No texto, Rachel dizia que uma pessoa bela não devia se relacionar com outra de beleza compatível, nem uma pessoa feia com outra igualmente feia; pois, ainda segundo ela, num caso se apuraria a boniteza e no outro a feiura. O ideal era haver mistura.

E ali estava aquele casal cumprindo o que Rachel recomendou. Ela era linda, e ele estava bem longe disso.

Quando os dois levantam para pagar a conta, ouvi, de um rapaz próximo a mim, alguns gracejos como: “Ele só pode ter muita grana” e “O amor é cego”. E foram essas palavras que me levaram a pegar uma folha e começar esse texto algum tempo depois.

Confesso que, a princípio, concordei com o comentário, olhando os dois saírem da livraria. É… o amor é cego.

Nos meus fones de ouvido, tocava Vermelho, do Marcelo Camelo, e fiquei pensando que não, talvez seja o contrário, talvez o amor nos faça ver além do olhar, nos faça reparar no que para a maioria está oculto.

É fácil amar alguém pelas suas qualidades. O desafio de qualquer relacionamento é amar alguém apesar dos seus defeitos.

O amor nunca me cegou para os defeitos das minhas namoradas. Mas quando, no meio de uma crise em meus relacionamentos, um amigo apontava um defeito , meu olhar via o defeito, reconhecia-o, mas ia além, ia sempre em busca do que me fazia querer estar com aquela mulher dia após dia, mesmo com raiva, mesmo magoado.

Nos meus ouvidos, enquanto escrevia, a voz dizia “Acho graça que isso sempre foi assim, mas você me chama pro mundo e me faz sair do fundo de onde eu to”.

Não, o amor não é cego. O olhar do amor é como o olhar do poeta, repleto de lirismo. Extrai beleza de onde todos veem apenas o banal, faz do dia a dia brotar a poesia que encanta, que enleva.

O amor nos deixa alerta, apura nosso olhar, nos faz querer enxergar melhor para que conheçamos a pessoa amada. Conhecer é ver além do que está aparente, é saber ler a entrelinhas, é ouvir o que não foi dito, é adivinhar o pensamento e antecipar o desejo do outro.

O olhar do amor perdoa o imperdoável, escuta o indizível.

O olhar do amor não rotula, não categoriza, não limita. O olhar do amor vai além dos estereótipos, supera todos os preconceitos.

Só o olhar do amor enxerga a essência.

O amor é cego para aqueles que não o compreendem.

Cego é aquele que não sabe amar.

Steller de Paula

Blog no WordPress.com.