Escritos Esparsos

30 de março de 2013

Quando o coração acalma

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 20:44

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“Professor, quando a gente sabe que um relacionamento ficou pra trás, que a gente já se curou do fim?” – foi a pergunta que me fez uma das minhas crianças, com o coraçãozinho ainda apertado e assombrado por lembranças, na madrugada de ontem.

Depois de tentar confortá-la e convencê-la de que, sim, ela vai ser capaz de amar novamente outra pessoa com a mesma intensidade que devotou ao ex-amor, saí do facebook e fiquei ouvindo “When Something Is Wrong With My Baby” na voz de The Sam & Dave Show e pensando nessa pergunta.

A melhor resposta a ela me foi dada por minha segunda namorada, a Carol. Estávamos, ainda no começo do nosso namoro, na praça de alimentação do Iguatemi quando vi minha ex vindo em nossa direção. Carol já a conhecia de nome, claro. A abordei, a apresentei, conversamos alguns minutos e ela se foi.

Quando ela virou as costas e saiu, Carol me olhou, séria, sem dizer nada, e pôs a mão no meu peito, sobre meu coração. Ao sentir que ele pulsava tranquilo, sereno, sorriu. Linda, ali sorrindo, sentindo que meu coração não batia descompassado por outra. Vi seu sorriso, entendi o porquê do gesto e sorri também.

Acho que é assim que a gente sabe que o que um dia já foi um amor intenso, hoje navega tranquilo nos mares da lembrança. Que aquela pessoa por quem se vivia, ocupando seus dias, seus pensamentos, seus sentimentos, hoje descansa num lugarzinho guardado na memória e deixou seu coração livre para que outra venha e ponha sua mão sobre ele, como quem diz “Agora eu cuido”.

Quando colocou a mão no meu peito e sentiu meu coração batendo calmo diante da ex, a Carol percebeu que ele estava livre, pronto a ser ocupado, sem fantasmas a assombrá-la.

Por dois anos e um pouco mais ela ocupou, com sua beleza, sua vivacidade, seus conflitos. Depois o deixou, com sua marca indelével no modo como ele passou a bater. O deixou para que outra garota viesse a ocupa-lo, bagunça-lo, abandoná-lo, refazendo um ciclo.

Três vezes meu coração sambou dentro do peito. Por três mulheres ele pulsou mais cheio de vida. Por três vezes eu precisei domá-lo quando elas se foram.

Não é fácil, não é rápido, não é sem dor.

Estou domando-o, ainda, para a que a de vir possa pô-lo em suas mãos, senti-lo tranquilo e impor a ele um novo ritmo, ditado pelo seu sorriso.

Steller de Paula

29 de março de 2013

Amigos e uma mesa de bar

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 2:57

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Se me lembro bem, foi Nietzsche quem disse que “temos a arte para que a verdade não nos destrua.”

É madrugada de uma véspera de feriado e estou em casa assistindo How i met your mother, série que acompanho há uns bons anos (está na oitava temporada). Mais uma noite que vivo através daqueles personagens tão diferentes e tão igualmente cativantes. Foi através deles meu escapismo de hoje.

“- E como eu tentaria te parar?

– Não sei… contando como a vida é curta, e se cruzar com um lindo, animado e louco momento tem que pegar enquanto pode, antes de perder o momento?

– Ted, esse momento já está perdido.”

Engraçado como a arte, ao mesmo tempo em que nos proporciona uma fuga de nossa realidade, que impede nossa realidade nos destrua, também funciona como espelho, nos faz mergulhar nessa realidade, questioná-la, querer mudá-la.

Sempre que acompanho a vida de Ted, Barney, Marchal, Lily e Robim, sinto falta de uma amizade como a deles. Mais do que invejar a cara de pau do Barney e seu sucesso com as mulheres, mais do que querer uma Robim pra mim, mais do que admirar o companheirismo e o amor entre Marshall e Lily, mais do que me ver um pouco no abestado do Ted, sinto falta de uma amizade forte, presente, constante como a deles.

Lembro meus grandes amigos do passado, Isaac, Heide, Daniel, Térsio, os Thiagos, Janaína, Priscila… hoje tão longes; amizades que a distância desfez, que o tempo enfraqueceu.

Lembro os amigos recentes que, por um motivo ou outro, só vejo ocasional e separadamente. (Babi em viagem, a pouco tempo do dia do seu aniversário, perguntando: “Amiga, posso comprar meu presente logo aqui?”)

Lembro os amigos-irmãos, Beto e Márcio, já casados, sempre na lembrança mas poucas vezes ao redor da mesa de um bar conversando besteira e dividindo problemas, medos, incertezas tanto quanto alegrias e satisfações.

A vida às vezes nos pega pela mão e vai nos afastando de muito daquilo que a gente ama, que nos importa, que nos faz bem. As obrigações, as contas a pagar, a preguiça… fazem com que a gente se permita o afastamento, encontre desculpas para não aparecer, não ligar, não se fazer presente na vida de quem a gente ama.

É mais fácil a gente deixar de lado aquilo que já está conquistado, o carinho já garantido, a amizade já consagrada, pois a gente acredita e espera que, quando precisar, aquele carinho, aquele cuidado vai estar lá, onde a gente deixou, pronto a nos acolher.

E, assim, não se reserva um tempo pra conversar com a mãe, para fazer algum programa com os irmãos, pra visitar aquela tia que tanto nos acolheu nas férias de infância, para fazer um carinho na avó. E, assim, os amigos vão sendo perdidos pela rotinas, suas histórias se tornando desconhecidas, as conversas superficiais e, quando o encontro finalmente acontece, já não é mais tão fácil conversar besteira e o silêncio, que antes unia, agora constrange.

Sim, uma bela amizade resiste à distância, mas é preciso a presença, ainda que por meio virtual, para que se mantenha a confiança, para não se perca a intimidade, para que o sorriso continue abraçando, para que o peso dos dias não construa uma barreira que separe o carinho, que esfrie o companheirismo.

Ah, claro que um bom bar a ser visitado por todos com alguma frequência ajuda bastante! Meus bons tempos de bar do avião e de Zug que o digam!

Steller de Paula

18 de março de 2013

Um homem só é completo no amor.

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 2:08

Psique revivida por Eros - Canova - Louvre

Um homem só deve correr atrás da mulher que ama, ou daquela que algum temor indica que ele pode vir a amar. Correr para trazer, correr para preservar, correr para manter-se fiel ao amor.

Quando o amor nos começa, difícil é saber o limite, a fronteira que nos separa dele. Como retirar o amor da pele? Como separá-lo do olhar? Como saber onde começa o homem e onde termina o amor que o preenche? E aquilo que não se pode ver é sempre tão mais bonito.

É difícil desenhar o amor. Eu tento por meio das palavras.

Eu conheço o amor que vive em mim como a palma da minha mão. Conheço os meandros desse amor, seus melindres, seus receios, suas falsas esperanças. Eu sei que o amor por vezes me enrubesce os olhos; basta vê-la.

Um homem deve ser devoto às mulheres, deve dar a elas o que elas precisam de atenção, de proteção, de conforto, de carinho, de desejo. Mas um homem só pode dar-se ao amor. Um homem não consegue trair seu amor. E não escolhemos o amor. Contraímos o amor.

Um homem só é completo no amor. É aos pedaços que me entrego às mulheres, talvez esperando que alguma delas consiga juntar os pedaços e montar o todo que outra quebrou. Porque é de amor que se faz a vacina para nos curarmos do amor.

Raiva, ciúmes, solidão, amizade, sexo… eu sei que nada disso vai me curar do amor que tenho, só mais e mais amor.  E não é me aprisionando à solidão que o reencontrarei, é me abrindo ao convívio, procurando aquele perfume de jasmim no canto de um sorriso. Quem sabe se mergulhando no desejo que atraí não encontro o azul do amor repousando lá no fundo. Ao jogar com o desejo, o prêmio pode ser o amor. Sentimentos são imprevisíveis.

Correr atrás da mulher que ama, então, não significa tentar reconquistar o amor dela, quando perdido. O amor, o grande amor, não é egoísta, não é possessivo, não torce contra. Correr atrás, nesse caso, significa lutar contra a saudade, contra o desejo de possuir, contra a vontade de vê-la sentindo minha ausência como sinto a dela. Significar estar perto quando necessário, ajudar quando possível, confortar quando for imperativo.

Meu amor é um querer bem, é querer estar perto para ajudar a suportar suas dores, a carregar seus sorrisos como o silêncio carrega a beleza da noite.

Eu conheço o amor que vive em mim como a palma da minha mão. Eu o desenho com palavras para conhecê-lo. Ele me preenche, mas não me controla. Eu o direciono para o melhor de mim.

Steller de Paula

9 de março de 2013

DIA DAS MULHERES

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 15:54

COLETÂNEA EM HOMENAGEM ÀS MULHERES, QUE TANTO ENCHEM MINHA VIDA DE POESIA! FELIZ DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES!

“As mulheres são encantadas. Encantam-me mais que o mar, encantam-me mais que o luar. Nada me maravilha mais que vê-las, conhecê-las, vivê-las. Ir, aos poucos, descobrindo suas particularidades, seus mistérios. É o modo como sorri, como ajeita o cabelo, como se maqueia as pressas no espelhinho do carro. É o modo como anda, como dança, como se despe, tirando peça por peça, mas deixando os brincos. O modo como se excita, como sua pele arrepia, como sua respiração ofega. É o modo como chora, como em seu peito reverberam os sentimentos, como as lágrimas inundam seus olhos, às vezes lentamente, brotando de sua alma como uma pequena nascente brota do interior da terra, às vezes de súbito, como o inesperado som do trovão.”

“Uma mulher, nenhuma mulher, não deve ser usada para o homem disfarçar sua fraqueza, sua carência, seu abandono. Uma mulher, toda mulher, deve ter ao seu lado um homem concentrado nela, atormentado pelo desejo que sente por ela, com os olhos em poesia pela beleza dela, satisfeito pela admiração que tem por ela.”

“Cada mulher que passou por mim, por minha vida, me deu e deixou em mim muito do que eu tenho de bom. E espero ter retribuído em carinho, em afeto, em honestidade, em delicadeza. Espero ter construído, mais que destruído. Espero estar nelas, tanto quanto elas estão em mim.”

“Havia luz no teu sorriso, teu sorriso resplandece, e, sem perceber, eu me pegava sorrindo e percebia que não havia mais máscara. Se olhava pro lado e me via mergulhado em teu sorriso largo, lindo, alegre como um campo de trigo acarinhado pelo vento, era como se a paz reinasse e não houvesse injustiça, nem decepção, nem solidão.”

“De todas as formas de arte, amar bem a mulher que você ama é a que requer mais especialização, cuidado e sensibilidade.”

“Vou dormir. Eu não rezo, você sabe. Mas toda noite, antes de dormir, tenho um bom pensamento pra ti. Já faz um tempo acredito no poder disso. Sempre um bom pensamento te abraçando, te embalando, pensamento de proteção e carinho.”

Steller de Paula

*Frases retiradas de vários textos diferentes que escrevi nos últimos 3 anos.

5 de março de 2013

Faz-se o caminho ao seguir

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 3:50

The dream catcher

“É inútil cantar o que perdi.” Chico Buarque

Minha amiga mais amada, já quase um ano faz que tu te foste para longe do meu abraço.

Mas nem um só dia deixaste de andar comigo, que a luz do meu amor projeta tua sombra junto a meus passos.

Várias, várias luas passaram, e eu sigo dormindo embalado pela lembrança da tua pele confundindo-se com a minha.

Que é a saudade? É a companhia que eu busco quando o vazio me ameaça tomar conta. É um terreno árido o coração de um homem sem amor. Meu coração é ocupado pela lembrança da tua vida em mim.

Antes de ti, eu seguia firme o meu caminho, sem medos, sem dúvidas; a certeza de que estava preparado para o Amor era o arco que me projetava para frente. Eu ia aonde queria ir, e os desvios também eram caminhos.

Mas na tua trajetória tu te perdeste, e eu te encontrei perdida em meu caminho.

De repente, caminhávamos de mãos dadas, e eu sentia a vida pulsar mais forte na terra sob os meus pés. Fez sol, fez chuva, e eu te amei quando houve luz e quando houve sombra.
Do pouco que dormiste em mim, a cabeça encostada em meu peito, eu pude sentir teu suor mergulhar em minha pele, seguir junto ao meu sangue o caminho de veias e artérias; como que seguindo um impulso vital, enredaste-te em meu coração, fizeste do meu peito teu jardim.

Amar é cultivar cotidianamente a vontade de querer ser melhor. É sorrir às diferenças. E Junto a ti eu era mais eu, eu me descobria a cada dia, que a melhor forma de se conhecer é se doando como eu me doei a ti, amada.

No entanto, eu sabia… enquanto andávamos juntos, procuravas teu caminho, que o meu era triste para ti, exigia uma força que tu não tinhas. E numa curva te distanciaste de mim.

Ainda vives nos meus olhos, no meu sono, nos meus sonhos, junto a mim. Nenhuma mais passeou pelos meus sonhos depois de ti, amada.

Vai teu caminho, canto de luz que alegrou meus dias. Vai teu caminho, que meus olhos ainda te velam à distância.

Steller de Paula

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