Escritos Esparsos

28 de abril de 2014

Amando as mulheres certas

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 1:46
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Fabian Ciraolo 03

Antes de ser uma escola literária, o romantismo é um estado de espírito, uma espécie de paradigma de comportamento, que o Romantismo sistematizou numa linguagem específica, numa perspectiva estética no início do século XIX.

Há pessoas mais racionais, objetivas, céticas e críticas e há pessoas mais passionais, emotivas, mais idealizadoras e sonhadoras. Estas são as que se enquadram no paradigma romântico.

Claro, são os extremos. Muito de nós passeamos entre eles.

Pessoas racionais, quando apanhadas pelo Amor, deslocam-se um pouco para perto do padrão romântico e costumam idealizar o ser amado, costumam idealizar o próprio amor, tornam-se, até, menos céticas.

Todos têm o seu “ideal” de parceiro. Aquela mulher ou homem que atenderia a todas as suas expectativas, que se enquadraria na sua noção de perfeição. E seguem-se os adjetivos: bonita, inteligente, sensual, extrovertida, aventureira…

Eu já tive o meu ideal de mulher muito bem construído em minhas expectativas, mas as mulheres que amei, as mulheres que me despertaram o amor, mostraram-me como ele era uma simples receita sem sentido, pois, na prática, não há receitas, nada é previsível e o ideal não existe.

Não se pode amar o que não se conhece. Quando amamos alguém com quem não convivemos na intimidade, dividindo o dia a dia, amamos, na verdade, um ideal que construímos.

E quantas vezes nos encantamos, nos apaixonamos, passamos a amar alguém que possui determinadas características que não só passavam longe do nosso ideal, mas estavam no rol das características que colocávamos como impossíveis de aturarmos? Como disse em outro texto, não é que o amor nos cegue para os defeitos ou para as características que antes repudiávamos. Não, nós a enxergamos bem, elas ainda nos incomodam. Mas o amor nos faz querer a pessoa apesar dos defeitos. Quando conhecemos os defeitos, as manias, aquelas características que nos exasperam às vezes, mas, mesmo assim, amamos as pessoas, é por que o amor se assentou sobre uma base sólida, saiu da idealização.

Amei mulheres com características que, racionalmente, pareciam incapazes de que me despertarem o amor. Mas o amor às vezes te joga nessas ciladas e surge de onde menos se espera. O que é bom, pois nos desestabiliza, nos faz ampliar nossa capacidade de aceitação, de convivência, de entendimento do outro.

Amei uma mulher farrista e extrovertida; o que me fez me soltar mais, abandonar muito da minha timidez que tanto me exasperava.

Amei uma mulher impaciente, ambiciosa, olhando sempre pro futuro; o que me fez abandonar muito do meu imediatismo, projetar mais, querer mais.

Amei uma mulher muito religiosa, com medos e tabus; o que me fez ampliar minha paciência, meu respeito aos limites do outro, abandonar muito do meu preconceito.

Não foi fácil amá-las, foi turbulento, foi desestabilizante; mas um prazer amá-las, foi recompensador amá-las, foi engrandecedor amá-las.

Não espero mais a mulher ideal, a mulher que me complete. Espero a mulher que me faça bem, que me faça querer ser melhor, que me faça querer estar com ela, agradá-la, acompanhá-la em sua caminhada. Espero a mulher com quem queira dividir meus sorrisos, por quem queira abrir mão da minha solidão.

Claro, ainda crio minhas expectativas. É natural, é humano.

Continuo valorizando a beleza e a inteligência, juntas. Mas entendi que a grande beleza às vezes pode dar lugar a um grande charme e que há diferentes tipos de inteligência, além daquela, acadêmica, que tanto valorizo.

Hoje percebo que gosto de mulher que bebe cerveja, joga sinuca e fala um palavrão bem colocado. Uma mulher que é divertida, que tem um jeito moleque, que carrega consigo uma certa leveza, que estimula meu bom humor; mas que sabe dividir meus silêncios e ajudar a carregar minha seriedade.

Gosto de mulher que sabe dançar. Gosto de mulher atrevida, ousada, segura de si, de sua beleza, de sua feminilidade. Mulher que sabe explorar sua sensualidade. Mulher que caminham “de um jeito como se soubesse que encontraria tudo nos seus lugares certos”.

Adoro mulheres cuja beleza possui uma inocente maldade.

A vida é muito curta para que amemos as mulheres erradas. Ainda que traga dor, ainda que traga sofrimento, há mulheres que valem a pena, mulheres com quem o amor nunca é desperdiçado, mulheres por quem até as lágrimas são justificáveis. Essas são as que devemos amar.

Steller de Paula

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