Escritos Esparsos

12 de agosto de 2014

Pela Estrada do Prazer

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 3:28
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eros-psique

Percorrer o corpo feminino é um longo passeio pela estrada do prazer. Principalmente para ela. Para cada porção de prazer que o homem sente com o corpo da mulher, ela sente 3, 4… O corpo da mulher foi feito para o prazer dela. Engana-se o homem que pensa que foi para o seu prazer.

O prazer do homem é limitado, concentrado basicamente em seu pênis e em seus olhos. O corpo da mulher é todo o parque de diversões dela. Da massagem nos pés ao puxão no cabelo a mulher se diverte, quando bem estimulada.

O homem é muito visual, grande parte do seu prazer é estético: feche a luz e boa parte do estímulo se perde na escuridão. A beleza dela, o prazer dela estampado no rosto são o nosso Viagra. Bebemos com os olhos a excitação dela, para no excitarmos.

A mulher se excita com os detalhes, suas preliminares costumam começar bem antes de nos encontrar. O prazer da mulher já começa ao escolher a lingerie que usará para nos deslumbrar – ela sabe que despi-la acende nossos olhos e inflama nosso desejo. Ela, mais que o homem, se estimula com a conversa safada ao longo do dia, antecipando o encontro, o toque, o cheiro. Ela se excita com o poder que sua sedução exerce sobre nós, em saber o quanto estamos sedentos por ela. A mulher sabe jogar com as expectativas, sabe que elas são parte essencial do erotismo.

O desejo do homem tende a ser mais controlador, mais imediatista, é preciso uma boa dose de sacrifício para controlá-lo, para prolongá-lo. Nosso centro de prazer é mais egoísta, ele grita e pede por atenção imediata, e por vezes nos faz esquecer que a mulher funciona de uma forma diferente e que o prazer deve ser compartilhado e não exigido.

A mulher usa seu corpo para conversar durante o sexo, seu corpo nos fala mais que suas palavras. Um arfar, um olhar, uma mordida nos lábios, um tremor nas pernas… É preciso aprender a ler uma mulher durante o sexo para que possamos extrair dela tudo que ela pode dar a si mesma.

A mulher dialoga com o sublime durante o sexo. O sexo é a ponte, sua ponte para si mesma, para o que seu corpo esconde. A mulher se é quando goza. O sexo é sua ponte para o outro, para a entrega, para a confiança, para o encontro com o que lhe falta.

Para o homem, é preciso atenção, entrega e paciência durante o sexo, para que possamos extrair do prazer dela, um prazer mais prolongado para nós, para que o prazer dela seja também nosso.

Nossa grandeza é nossa incompletude. Isso nos faz buscar o que nos falta, buscar no outro e em nós mesmos. Triste de quem banaliza o sexo, triste de quem mecaniza o sexo, de quem contabiliza o sexo e exclui dele o que há de beleza, de adivinhação, de comunicação consigo e com o outro.

Steller de Paula

 

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1 Comentário »

  1. Muuuito bom, té!!

    Comentário por raqueelalbuquerquee — 12 de agosto de 2014 @ 3:34 | Responder


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