Escritos Esparsos

29 de setembro de 2014

Oásis de Livros

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 2:46
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Saraiva

Não é por acaso que fiz de livrarias em shopping meus escritórios de trabalho, minhas salas de leitura. Uma conjunção de fatores me levou a isso.
Primeiro, eu sou leitor, leio em qualquer lugar, com ou sem movimento, com ou sem barulho, em pé ou sentado ou balançando em pé no ônibus eu me fecho no livro. Desde criança assim. Hoje mais fácil ainda, com a música ajudando a me isolar através dos fones de ouvido. Também contribui eu ser preguiçoso: em casa não me concentro, pois me chama a cama, me chama a internet, me chama a tv… e não me concentro para ler ou trabalhar.
Mais ainda, amo livros, sou viciado em comprar livro, compro mais do que sou capaz de ler, adoro folheá-los, cheirá-los (quem, como eu, ama os livros sabe que não é estranho parar numa livraria, pegar um livro, e folheá-lo junto ao nariz).
E, por fim, gosto do movimento ao meu redor enquanto eu me fecho. Gosto de poder parar e ver a vida que corre fora de mim, as pessoas conversando, namorando, passeando entre os livros. Gosto de ver os velhinhos, no café, lendo. Gosto de ver as crianças pedindo livros aos pais, os adolescentes com os olhos gulosos olhando-os.
Uma livraria, uma biblioteca, uma sala de leitura pelos mundos que encerram, pelo que despertam, pelo que proporcionam são pequenos oásis num mundo muitas vezes desértico.
E há dois lugares em que uma bela mulher, desconhecida e vista de longe, se torna incrivelmente charmosa e tem seu poder de atração intensificado: numa pista de dança e entre prateleiras de livros.
Levantar os olhos do livro e, susto, ver uma bela garota folheando os livros com interesse é sair de um mundo e mergulhar em outro. É imaginar o mundo que ela esconde, é tentar enxergar por trás da beleza, enxergar aquilo que, não sendo externo, enfeitiça. Uma mulher bonita com um bom livro na mão é sempre mais bonita, porque já parece interessante.
E imagino uma mulher que não é de se apenas admirar, mas uma mulher para se conhecer, uma mulher para se viver. Uma mulher com quem conversar, com quem se dividir gostos, interesses, curiosidades, paixões.
Caio Fernando Abreu diz que “Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra”. Não alimento a esperança de começar um relacionamento de comédia romântica, de encontrar a minha alma especial folheando o mesmo livro que estou lendo e que nossas almas se conectem. Mas é bom imaginar que almas semelhantes e interessantes passam por ali, crianças, velhinhos e – ah, as possibilidades – belas mulheres.

Steller de Paula

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