Escritos Esparsos

16 de abril de 2017

O que é e o que pode ser

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 18:57

Rotko

– Steller, tu já chegou naquele momento que tu acha que tua vida tá realmente acabando? Viver é difícil pra cacete. Eu estou exausta, acabada e ainda estou aguentando. Isso é horrível.
17 anos. Li isso de uma garota de 17 anos. Bonita, saudável, estudando numa boa escola, família com boa condição financeira. Apesar disso, às 2 horas da manhã, abro o Facebook e percebo que ela acabara de me escrever que estava exausta com a vida.
Não foi uma conversa fácil. Como responder a uma pergunta dessas? Como ajudar? Que palavras dizer? Como ter certeza de que estou ajudando? Não sei. Nunca sei. Mas escuto, vou tateando, vou tentando fazer um bom uso dessa confiança que foi depositada em mim e, no íntimo, torcendo, torcendo, torcendo para estar no caminho certo.
Depois dessa conversa com ela, pare e numa conversa hipotética, mais comigo mesmo, escrevi isso:
Moça, viver é, sim, difícil pra cacete. Riobaldo diz e repete: Viver é muito perigoso. Fácil é desistir quando cansaço bate, quando nada parece fazer sentido, quando o mundo se mostra hostil, quando o tesão pela vida acaba.
Não, eu não cheguei nesse momento. Eu gosto muito da vida, na verdade. Gosto de saber que há tantas possibilidades: tantos caminhos a percorrer, tanta gente para conhecer, tantos lugares para visitar, tantos sabores para provar…
Mas, às vezes, é um desafio fazer a vida valer a pena. Às vezes, passamos por momentos em que não encontramos um sentido para tudo que exigem de nós, para todo o tempo gasto estudando, trabalhando, comprando coisas, pagando as contas, vivendo uma vida que, de certo modo, foi imposta a nós e da qual é difícil fugir.
A gente cresce, estuda, trabalha, paga as contas, alimenta ambições e sonha, sonha e sonha, pois é o sonho que nos projeta para o futuro.
E nessa correria, a maioria tenta ser feliz. Ser feliz estudando, trabalhando, comprando coisas, fazendo o que precisamos fazer.
Eu não tento ser feliz. Eu tento ser alegre, eu tento viver de modo que tudo o que eu faça valha a pena, apesar das dificuldades, apesar das cobranças, apesar das pressões, apesar da insegurança… que valha a pena estudar, que valha a pena trabalhar, que valha a pena amar, que valha a pena conviver. Que valha a pena acordar todo dia para tudo isso.
Porque a verdadeira corrida, não é uma corrida pela felicidade, que está sempre, sempre, mais adiante e é efêmera. É uma corrida por ser alegre na maior parte dos dias. A alegria é o combustível para se continuar correndo atrás de ser feliz, mesmo sem ter certeza de estar fazendo o certo. E quando somos alegres as coisas têm mais sentido, o trabalho tem sentido, o caminho tem sentido, as horas tem um porquê.
Então, quando o cansaço bater, quando der vontade de desistir da vida que se leva, é hora de fugir. Às vezes, basta fugir um pouco: para um café e a companhia de um bom livro, para um pote de sorvete e uma boa série, para uma bebida e um papo com os amigos, para o abraço da mãe…
Às vezes, é preciso uma fuga maior: faltar o colégio ou o trabalho, juntar uns trocados e passar uns dias longe de casa, numa rede perto da praia, um lugar com muito verde e canto de pássaros.
Se o cansaço for grande e fugir não for uma opção, é hora de brigar com a realidade e mudar de vida, de romper com o quê ou quem te fere, de se afastar de tudo o que te faz mal.
Se você se olhar e não gostar do que vê, é hora de lutar consigo mesmo, de enfrentar o que há de ruim em ti, de se reinventar, de trocar de pele.
Não é fácil. Mas quem disse que tem que ser fácil?
Então que você tenha a força e a determinação necessárias para não sucumbir a desânimo e à tristeza. Que você tenha a sabedoria necessária para reconhecer que tem fraquezas, que elas fazem parte de você e que elas podem ser o ponto de partida para que você se fortaleça. Que você tenha a humildade necessária para perceber que não pode e não precisa enfrentar todas as barras, todos os problemas, todos os seus dramas sozinha, que você pode estender a mão e pedir ajuda, pedir um abraço. Que você tenha coragem para mudar no meio do caminho, pegar outra rota, planejar outro destino, mas que você tenha coragem para continuar caminhando. E que você tenha a sensibilidade para reparar na beleza da vida, que sempre e sempre seja capaz de encontrar as coisas que ainda te emocionam, um pôr do Sol, um bom livro, um cheiro no pescoço, uma tarde chuvosa, beira mar, uma nova amizade… Porque a vida é o que é, mas é, também, tudo o que pode ser.

Steller de Paula

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