Escritos Esparsos

10 de maio de 2015

Amor de Mãe

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Haroldo - Mãe

Renato Russo, na música Pais e Filhos, imortalizou de maneira extremamente bela uma percepção que muitos filhos têm quando amadurecem:

Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo.

São crianças como você, o que você vai ser quando você crescer.

Para crescer, é preciso bater de frente com os pais muitas vezes. Pais de verdade, daqueles que não se limitam a por no mundo e sustentar, que não se veem apenas como provedores, preocupam-se com os filhos, sofrem com as dores dos filhos, não dormem enquanto os filhos estão na rua e esperam poder guiar os filhos pelo bom caminho, esperam ser capazes de fazer com que eles evitem os erros clássicos da adolescência, temem que seus filhos cometam os mesmo erros que eles cometeram no passado.

Por isso cobram, por isso impõem, por isso, muitas vezes, sufocam. É o amor, que traz o medo, falando. É a experiência, que traz o conhecimento, falando.

Mas é de nós não aprendermos com a experiência do outro, não sermos capazes de aprender senão através de nossos próprios erros. Precisamos teimar, bater de frente, seguir nosso próprio caminho, cair, quebrar a cara e levantar mais forte, mais maduro.

Feliz do filho que recebe dos pais bons conselhos, que faz suas escolhas bem orientado e que, quando teima e erra, tem os pais por perto, não para dizer “eu avisei”, mas para consolá-lo, para ajudá-lo a se reerguer, a enxergar seus defeitos com sabedoria e lhe dar, novamente, bons conselhos.

Feliz dos pais que têm sabedoria para enxergar que criam seus filhos não para si, mas para a vida, que não esperam fazer dos seus filhos uma versão mais bem acabada de si, que não depositam em seus filhos suas frustações, que sabem reconhecer as individualidades daqueles a quem deram a vida.

Feliz dos pais que reconhecem seu papel de educar, de orientar, de vigiar, de punir, mas que sabem equilibrá-lo com a dose de liberdade que todos precisamos para descobrir quem somos e o que queremos, para poder fazer nossas escolhas e encararmos as consequências delas, para que aprendamos com nossos erros e sejamos capazes de andarmos com nossas próprias pernas.

Hoje é dia das mães. E um pai, por mais pai que seja, não pode conceber o que é ser mãe, o que é ver crescer dentro de si o fruto do seu amor, o que é sentir a sua carne e seu sangue gerando vida, o que é sentir um coração pulsando dentro do seu corpo, o que é, antes mesmo de ter o filho entre os braços, pedir aos céus que o protejam, querer ser capaz de sofrer em sua própria carne todas as violências que a vida tiver reservado para seu filho.

Por nove meses, minha mãe me carregou em seu ventre. Por nove meses, cresci protegido pelo seu corpo e embalado pelo seu amor por mim, por seus sonhos para mim, por seus medos por mim.

Não sou capaz de imaginar quão forte é esse amor, quão poderosa é essa ligação. Não sou capaz supor o peso da responsabilidade de se sentir tão responsável por mim, por minha segurança, por minha felicidade.

Quantas vezes não terá sofrido por não poder me dar o que eu pedia?

Quantas vezes não abdicou do seu conforto, do seu orgulho, dos seus sonhos para me dar o que eu precisava?

Quantas vezes não terá se perguntado se falhou ao me ver seguindo um caminho errado?

Quantas vezes não terá chorado ao me ver doente e não ser capaz de me curar com seus abraços?

Quantas noites insone, pedindo a Deus, que me protegesse e me fizesse capaz de atingir meus objetivos?

Mãe, você fez um excelente trabalho. Nada que não tive me faltou. Tudo que me era necessário eu tive. Você sempre esteve comigo quando precisei, quando adoeci, quando sofri por amor, quando cai por consequência de minhas más escolhas. Você sempre me deu a mão e ajudou a levantar, sempre me empurrou para a frente, sempre teve fé em mim e por mim..

Mãe, eu sou forte, eu sou duro. Minha fortaleza é o teu amor por mim. Minha confiança, teu abraço me deu.

Mãe, eu sou um lutador. As lágrimas que choraste por mim forjaram minha resistência. Minha coragem, teu exemplo me deu.

Mãe, eu acredito em mim, acredito que por mais que tudo esteja dando errado, eu posso consertar, que tudo vai dar certo. Minha coragem para o trabalho, teu exemplo me deu. Meu otimismo é o fruto da tua luta por mim. Minha fé em mim, teu incentivo me deu.

Mãe, eu sei ser só, eu aprecio o encontro comigo mesmo. Foi de ti, de tua independência, de tua abnegação, que herdei o gosto pela solidão.

Não consigo imaginar meus dias sem tua presença, sem tua preocupação, sem teu cuidado, sem teu amor se fazendo presença, preocupação e cuidado.

– Teté, tu me ama? – Tu me perguntaste hoje. Eu, mais uma vez respondi com silêncio e te oferecendo o rosto para beijares.

Amo mãe. Nem consigo mensurar quanto. Até me acovardo diante desse amor.

Nunca quis permitir que esse amor se tornasse dependência emocional, psicológica, sempre procurei me defender. Mas tu nem imaginas o quanto esse amor me moldou.

Não sou presente na tua rotina como gostarias, não durmo mais abraçado a ti na tua cama. Mas quando eu durmo, sinto teu amor me embalando e tuas rezas me protegendo. Por isso eu durmo sempre tão bem.

Feliz Dia das Mães!

Steller de Paula

25 de dezembro de 2014

O amor e suas dores. O amor e seus ardores.

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Ao que a gente nasce para o amor.

Quando crianças, dormimos o sono profundo do desconhecimento, embalados pela tranquilidade de não conhecer o poder devastador do amor.

Um dia, já adolescentes, vamos caminhando nossos dias daquele jeito leve e descompromissado; e o amor nos vê passar, sem peso, sem medo, sem ansiedade.

Imperceptivelmente, então, ele se aproxima, arrepia nossa pele com seu toque e nos deixa sua marca.

Daí em diante, do amor não nos livramos mais, pois que o perseguiremos ou seremos por ele perseguidos, e o amor terá um altar em cada esquina por onde passemos.

O amor e suas dores. O amor e seus ardores.

Do amor, às vezes, a gente foge por covardia, por incompreensão, por falta de atenção.

Mas vida mexe com a gente, leva para um lado, leva para outro e, no caminho, consciente ou não, o que a gente procura é uma coisa só: esbarrar no amor, se afeiçoar a outro alguém de modo a querer com ele conviver, construir, dividir, plantar o presente e colher o futuro.

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Tamanho de amor se mede?

De amor mesmo a gente pouco sabe, que nosso entendimento não alcança o lugarzinho onde o sentimento nasce, de onde ele se espalha.

Sentimento amor a gente controla? A gente governa?

Sentimento amor muita vez nasce é onde não devia de.

E cresce na adversidade, pois que a gente idealiza, e a dificuldade faz o que era abstrato ganhar corpo.

A gente quer o impossível. E nas palavras com as quais cantamos nosso amor, ele ganha peso, ganha mais vida.

A gente quer um amor figurado.

Um amor de render belos versos, um amor de canção, musicado. A poesia nasce é no peito da gente, a poesia carece do amor pra se fazer palavra. A poesia inflama o amor, quer vê-lo pegar fogo para que das cinzas recolha versos.

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Por isso, há quem diga que não crê no amor. Que inventaram o amor, que inventamos o amor. Quem diz que não crê no amor é porque tem medo. Medo de encarar o amor e não medi-lo com os olhos. Medo de abraçar o amor e não conseguir abarcá-lo com os braços. Medo de beijar o amor, querendo mais, querendo mais, e não conseguir sorver tudo de que precisa.

O medo é uma roupa com que o amor, muitas vezes, se veste.

Medo de não encontrar; medo de, encontrando, não conquistar; medo de, conquistando, perder; medo de, perdendo, não superar a perda.

O amor exige coragem e, por amor, muita coragem se faz.

Steller de Paula

16 de dezembro de 2014

A Anulação em Face do Amor

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Mark Rothko

Em Senhora, de José de Alencar, Aurélia Camargo é abandonada por Fernando Seixas, que noiva com outra garota. Ainda assim, Aurélia guarda seu amor por Seixas intocado, pois não se sente digna dele, pois o colocou numa altura tal, que não se sente capaz de alcançá-lo e entende que Seixas a deixe por outra, mais digna. Quando descobre que Fernando, na verdade, trocou-a não por uma mulher que amava, mas por 30 contos, Aurélia revolta-se contra o amado, pois ele, assim, se desonrou. Ao se desonrar, Seixas rebaixa-se ao plano mais rasteiro da existência, distanciando-se das alturas onde o amor de Aurélia o tinha posto. Ao se desonrar, Seixas desonra o amor de Aurélia.

As reviravoltas que o a trama traz são bem conhecidas e no fim o amor redime e o final é feliz.

Mas, agora lembrando Aurélia, lembrei histórias que já me foram contadas, ou presenciadas, de pessoas que colocavam o ser amado em tão grandes alturas, que se diminuíam perante ele, que se anulavam.

O amor nos é vendido de tal forma, nós o queremos tanto, ansiamos tanto por ele, que o idealizamos. Amamos amar, amamos o amor e o que ele desperta em nós. Precisamos, então, que alguém se encaixe na visão que construímos de uma relação amorosa, precisamos de alguém que nos desperte o intenso, que nos permita viver o amor.

Diante disso, algumas pessoas deixam-se cegar, diminuem-se, anulam-se perante o outro. Acostumam-se a fazer sacrifícios, a dar bem mais do que recebem, a serem, a estarem pedindo o que deveriam receber espontaneamente.

Os amigos alertam, a família grita, até a voz da razão, sufocada, resmunga lá dentro, mas o desejo de amar fala mais alto: é preciso acreditar no amor, é preciso lutar pelo meu amor, o amor vai fazer as coisas mudarem, melhorarem e tudo vai acabar bem como num livro de José de Alencar!

Sim, é preciso acreditar no amor, é preciso lutar pelo amor, vivê-lo em sua integridade. Mas, nunca, a despeito de nós próprios, nunca pisando em quem nós somos, abrindo mão de nossa individualidade, de nossos sonhos, de nossas necessidades.

Amor é soma, não é subtração. É troca, não doação unilateral.

Drummond, num belíssimo poema, diz que “amor é dado de graça e com amor não se paga”, mas isso é bonito em verso, em cinema, em romance, é bonito naquele amor platônico, à distância, não naquele amor do dia a dia, não no amor que divide projetos pro futuros, que faz planos, que dorme junto na mesma cama.

Um amor que só te tira, que só te exige, que nada te dá além da vontade de cultivá-lo, vai te deixar vazio, repleto apenas de frustrações, ilusões, mentiras e lágrimas.

Steller de Paula

29 de setembro de 2014

Oásis de Livros

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 2:46
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Saraiva

Não é por acaso que fiz de livrarias em shopping meus escritórios de trabalho, minhas salas de leitura. Uma conjunção de fatores me levou a isso.
Primeiro, eu sou leitor, leio em qualquer lugar, com ou sem movimento, com ou sem barulho, em pé ou sentado ou balançando em pé no ônibus eu me fecho no livro. Desde criança assim. Hoje mais fácil ainda, com a música ajudando a me isolar através dos fones de ouvido. Também contribui eu ser preguiçoso: em casa não me concentro, pois me chama a cama, me chama a internet, me chama a tv… e não me concentro para ler ou trabalhar.
Mais ainda, amo livros, sou viciado em comprar livro, compro mais do que sou capaz de ler, adoro folheá-los, cheirá-los (quem, como eu, ama os livros sabe que não é estranho parar numa livraria, pegar um livro, e folheá-lo junto ao nariz).
E, por fim, gosto do movimento ao meu redor enquanto eu me fecho. Gosto de poder parar e ver a vida que corre fora de mim, as pessoas conversando, namorando, passeando entre os livros. Gosto de ver os velhinhos, no café, lendo. Gosto de ver as crianças pedindo livros aos pais, os adolescentes com os olhos gulosos olhando-os.
Uma livraria, uma biblioteca, uma sala de leitura pelos mundos que encerram, pelo que despertam, pelo que proporcionam são pequenos oásis num mundo muitas vezes desértico.
E há dois lugares em que uma bela mulher, desconhecida e vista de longe, se torna incrivelmente charmosa e tem seu poder de atração intensificado: numa pista de dança e entre prateleiras de livros.
Levantar os olhos do livro e, susto, ver uma bela garota folheando os livros com interesse é sair de um mundo e mergulhar em outro. É imaginar o mundo que ela esconde, é tentar enxergar por trás da beleza, enxergar aquilo que, não sendo externo, enfeitiça. Uma mulher bonita com um bom livro na mão é sempre mais bonita, porque já parece interessante.
E imagino uma mulher que não é de se apenas admirar, mas uma mulher para se conhecer, uma mulher para se viver. Uma mulher com quem conversar, com quem se dividir gostos, interesses, curiosidades, paixões.
Caio Fernando Abreu diz que “Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato a outra”. Não alimento a esperança de começar um relacionamento de comédia romântica, de encontrar a minha alma especial folheando o mesmo livro que estou lendo e que nossas almas se conectem. Mas é bom imaginar que almas semelhantes e interessantes passam por ali, crianças, velhinhos e – ah, as possibilidades – belas mulheres.

Steller de Paula

12 de agosto de 2014

Pela Estrada do Prazer

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 3:28
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eros-psique

Percorrer o corpo feminino é um longo passeio pela estrada do prazer. Principalmente para ela. Para cada porção de prazer que o homem sente com o corpo da mulher, ela sente 3, 4… O corpo da mulher foi feito para o prazer dela. Engana-se o homem que pensa que foi para o seu prazer.

O prazer do homem é limitado, concentrado basicamente em seu pênis e em seus olhos. O corpo da mulher é todo o parque de diversões dela. Da massagem nos pés ao puxão no cabelo a mulher se diverte, quando bem estimulada.

O homem é muito visual, grande parte do seu prazer é estético: feche a luz e boa parte do estímulo se perde na escuridão. A beleza dela, o prazer dela estampado no rosto são o nosso Viagra. Bebemos com os olhos a excitação dela, para no excitarmos.

A mulher se excita com os detalhes, suas preliminares costumam começar bem antes de nos encontrar. O prazer da mulher já começa ao escolher a lingerie que usará para nos deslumbrar – ela sabe que despi-la acende nossos olhos e inflama nosso desejo. Ela, mais que o homem, se estimula com a conversa safada ao longo do dia, antecipando o encontro, o toque, o cheiro. Ela se excita com o poder que sua sedução exerce sobre nós, em saber o quanto estamos sedentos por ela. A mulher sabe jogar com as expectativas, sabe que elas são parte essencial do erotismo.

O desejo do homem tende a ser mais controlador, mais imediatista, é preciso uma boa dose de sacrifício para controlá-lo, para prolongá-lo. Nosso centro de prazer é mais egoísta, ele grita e pede por atenção imediata, e por vezes nos faz esquecer que a mulher funciona de uma forma diferente e que o prazer deve ser compartilhado e não exigido.

A mulher usa seu corpo para conversar durante o sexo, seu corpo nos fala mais que suas palavras. Um arfar, um olhar, uma mordida nos lábios, um tremor nas pernas… É preciso aprender a ler uma mulher durante o sexo para que possamos extrair dela tudo que ela pode dar a si mesma.

A mulher dialoga com o sublime durante o sexo. O sexo é a ponte, sua ponte para si mesma, para o que seu corpo esconde. A mulher se é quando goza. O sexo é sua ponte para o outro, para a entrega, para a confiança, para o encontro com o que lhe falta.

Para o homem, é preciso atenção, entrega e paciência durante o sexo, para que possamos extrair do prazer dela, um prazer mais prolongado para nós, para que o prazer dela seja também nosso.

Nossa grandeza é nossa incompletude. Isso nos faz buscar o que nos falta, buscar no outro e em nós mesmos. Triste de quem banaliza o sexo, triste de quem mecaniza o sexo, de quem contabiliza o sexo e exclui dele o que há de beleza, de adivinhação, de comunicação consigo e com o outro.

Steller de Paula

 

12 de junho de 2014

O Sol nasce todo dia

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 5:34
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hopperroomsea

Por esses dias lembrei um livro sobre o qual li há alguns anos. Nele, uma enfermeira que conviveu com pacientes em estados terminais nos seus últimos meses de vida relatava os cinco maiores arrependimentos que os pacientes tinham antes de morrer. São eles:

1 – Eu gostaria de ter tido a coragem de viver a vida que eu quisesse, não a vida que os outros esperavam que eu vivesse.

2 – Eu gostaria de não ter trabalhado tanto.

3 – Eu queria ter tido a coragem de expressar meu sentimentos.

4 – Eu gostaria de ter ficado em contato com os meus amigos.

5 – Eu gostaria de ter me permitido ser mais feliz.

Minhas semanas têm sido bastante cansativas, e a impressão que tenho, às vezes, é que um dia emenda no outro e que o sono não é descanso, é desmaio.

Dou 38 aulas até a quinta, pego o carro e viajo para Sobral, onde dou 12 aulas na sexta. Hoje, sábado, acordei às 4:00 da manhã para voltar para Fortaleza e dar aula até às 12:40. Acordei com sono, cansado e a revolta tomou conta de mim: “isso não é vida, estou vivendo pra trabalhar, quando não estou em sala de aula estou elaborando matéria, preciso dar um jeito nisso!”. Foram pensamentos que passaram pela minha cabeça enquanto me arrumava.

Então peguei o carro e o caminho de volta. E, vinte minutos depois, toda a raiva e todo o cansaço tinham desaparecido, pois, ali, na estrada, enquanto dirigia e ouvia John Butler, tive diante de mim um nascer nos mais belos que já tive oportunidade de ver.

O sol, nascendo por trás das montanhas, tingia o céu de rosa, de laranja, de amarelo e me banhava com uma beleza tão grande, que me trouxe de volta do cansaço e da raiva, me fez lembrar o que há muito eu luto para não esquecer: que viver é bom, a despeito de tanta coisa errada, tanta coisa ruim no mundo a nossa volta; que a beleza está ali, à mão, no sol, nas estrelas, no sorriso de um bebê, no abraço de quem a gente ama; está ali, a despeito de tanta coisa feia no mundo a nossa volta.

Dirigindo, o Sol nascendo, a música tocando, lembrei um poema do Manuel Bandeira, um poema que lembro ter lido quando estava cursando Direito, insatisfeito com a vida que levava, com o trabalho, com a faculdade:

Quando a Indesejada das gentes chegar

(Não sei se dura ou caroável),

Talvez eu tenha medo,

Talvez sorria, ou diga:

– Alô, iniludível!

O meu dia foi bom, pode a noite descer.

(A noite com seus sortilégios.)

Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,

A mesa posta,

Com cada coisa em seu lugar.”

Não tenho como descrever o que senti quando li esse poema a primeira vez, mas lembro que me perguntei “E se a morte viesse me buscar hoje, agora, eu poderia dizer que ela encontraria cada coisa em seu lugar?”. Não, não poderia.

Desde a primeira vez que li esse poema, eu resolvi que tentaria viver minha vida de modo a poder encarar a morte dessa forma, não importa se hoje, se amanhã, se daqui há 30 anos. A vida é tão curta, tão curta… o tempo que estamos aqui é tão pequeno para tudo o que o mundo nos oferece, para tudo o que a vida pode nos oferecer, que eu não admito desperdiçá-lo. Não admito desperdiçar esse pouco tempo que me foi dado a viver levando uma vida que não me traz alegria, uma vida que não é a vida que gostaria de estar vivendo, uma vida sem beleza, sem leveza, sem sorrisos. Não quero correr o risco de me deparar com a morte e percebi que não gastei minha vida como deveria, que não usufrui da minha liberdade, que dei importância às coisas erradas, que deixei de valorizar o que merecia ser valorizado. Quando a morte vier me buscar, quero o mínimo de arrependimentos. Não quero minha vida desperdiçada por causa do orgulho, do medo, da vergonha, da ganância. Quero poder olhar pra morte e dizer: “pode a noite descer. Encontrará lavrado o campo, a casa limpa, A mesa posta, Com cada coisa em seu lugar.”.

Sim, por vezes nossos olhos se nublam, o cansaço chumba, nossos sorrisos começam a querer enferrujar. Mas basta um nascer do Sol. E o Sol nasce todo dia, todo dia a vida recomeça, todo dia podemos escolher o que fazer com ela.

Sartre diz que nós somos condenados a ser livres. A vida às vezes parece querer se impor, mas a vida é o que fazemos dela. Nós fazemos nossas escolhas e precisamos lidar com as consequências. Às vezes, nossas escolhas nos levam por caminhos que não podemos abandonar, caminhos que precisamos trilhar, mas cabe a nós decidir como traçaremos esse caminho: abatidos pelo cansaço, ou enxergando o Sol nascer todo dia.

Steller de Paula

 

28 de abril de 2014

Amando as mulheres certas

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Fabian Ciraolo 03

Antes de ser uma escola literária, o romantismo é um estado de espírito, uma espécie de paradigma de comportamento, que o Romantismo sistematizou numa linguagem específica, numa perspectiva estética no início do século XIX.

Há pessoas mais racionais, objetivas, céticas e críticas e há pessoas mais passionais, emotivas, mais idealizadoras e sonhadoras. Estas são as que se enquadram no paradigma romântico.

Claro, são os extremos. Muito de nós passeamos entre eles.

Pessoas racionais, quando apanhadas pelo Amor, deslocam-se um pouco para perto do padrão romântico e costumam idealizar o ser amado, costumam idealizar o próprio amor, tornam-se, até, menos céticas.

Todos têm o seu “ideal” de parceiro. Aquela mulher ou homem que atenderia a todas as suas expectativas, que se enquadraria na sua noção de perfeição. E seguem-se os adjetivos: bonita, inteligente, sensual, extrovertida, aventureira…

Eu já tive o meu ideal de mulher muito bem construído em minhas expectativas, mas as mulheres que amei, as mulheres que me despertaram o amor, mostraram-me como ele era uma simples receita sem sentido, pois, na prática, não há receitas, nada é previsível e o ideal não existe.

Não se pode amar o que não se conhece. Quando amamos alguém com quem não convivemos na intimidade, dividindo o dia a dia, amamos, na verdade, um ideal que construímos.

E quantas vezes nos encantamos, nos apaixonamos, passamos a amar alguém que possui determinadas características que não só passavam longe do nosso ideal, mas estavam no rol das características que colocávamos como impossíveis de aturarmos? Como disse em outro texto, não é que o amor nos cegue para os defeitos ou para as características que antes repudiávamos. Não, nós a enxergamos bem, elas ainda nos incomodam. Mas o amor nos faz querer a pessoa apesar dos defeitos. Quando conhecemos os defeitos, as manias, aquelas características que nos exasperam às vezes, mas, mesmo assim, amamos as pessoas, é por que o amor se assentou sobre uma base sólida, saiu da idealização.

Amei mulheres com características que, racionalmente, pareciam incapazes de que me despertarem o amor. Mas o amor às vezes te joga nessas ciladas e surge de onde menos se espera. O que é bom, pois nos desestabiliza, nos faz ampliar nossa capacidade de aceitação, de convivência, de entendimento do outro.

Amei uma mulher farrista e extrovertida; o que me fez me soltar mais, abandonar muito da minha timidez que tanto me exasperava.

Amei uma mulher impaciente, ambiciosa, olhando sempre pro futuro; o que me fez abandonar muito do meu imediatismo, projetar mais, querer mais.

Amei uma mulher muito religiosa, com medos e tabus; o que me fez ampliar minha paciência, meu respeito aos limites do outro, abandonar muito do meu preconceito.

Não foi fácil amá-las, foi turbulento, foi desestabilizante; mas um prazer amá-las, foi recompensador amá-las, foi engrandecedor amá-las.

Não espero mais a mulher ideal, a mulher que me complete. Espero a mulher que me faça bem, que me faça querer ser melhor, que me faça querer estar com ela, agradá-la, acompanhá-la em sua caminhada. Espero a mulher com quem queira dividir meus sorrisos, por quem queira abrir mão da minha solidão.

Claro, ainda crio minhas expectativas. É natural, é humano.

Continuo valorizando a beleza e a inteligência, juntas. Mas entendi que a grande beleza às vezes pode dar lugar a um grande charme e que há diferentes tipos de inteligência, além daquela, acadêmica, que tanto valorizo.

Hoje percebo que gosto de mulher que bebe cerveja, joga sinuca e fala um palavrão bem colocado. Uma mulher que é divertida, que tem um jeito moleque, que carrega consigo uma certa leveza, que estimula meu bom humor; mas que sabe dividir meus silêncios e ajudar a carregar minha seriedade.

Gosto de mulher que sabe dançar. Gosto de mulher atrevida, ousada, segura de si, de sua beleza, de sua feminilidade. Mulher que sabe explorar sua sensualidade. Mulher que caminham “de um jeito como se soubesse que encontraria tudo nos seus lugares certos”.

Adoro mulheres cuja beleza possui uma inocente maldade.

A vida é muito curta para que amemos as mulheres erradas. Ainda que traga dor, ainda que traga sofrimento, há mulheres que valem a pena, mulheres com quem o amor nunca é desperdiçado, mulheres por quem até as lágrimas são justificáveis. Essas são as que devemos amar.

Steller de Paula

12 de dezembro de 2013

Homem aos 30

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 4:47
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Nelson Rodrigues dizia que “Aos 18 anos, o homem não sabe nem como se diz bom dia a uma mulher. O homem devia nascer com 30 anos.”.

Hoje, lembrando meus 20 anos, lembrando minha primeira namorada, sou forçado a concordar. Não que um garoto nessa faixa etária não seja capaz de marcar positivamente a vida de uma mulher, de fazê-la crescer com a convivência, de ajudá-la no seu crescimento, de amá-la bem, enfim.

Mas quando comparo o homem que sou ao que fui aos 20, percebo a sabedoria das palavras de Nelson.

Nós homens somos seres limitados, limitados por um extremo egoísmo que vem do simples fato de ser homem. Os homens demoram a amadurecer numa série de coisas, muitas vezes amadurecem profissionalmente mas continuam infantis emocionalmente e, mesmo maduros, guardam comportamentos infantis (basta observar um grupo de homens jogando futebol ou numa mesa de bar para confirmar isso).

Não é de todo ruim essa nossa característica; ela nos alivia um pouco das responsabilidades, das cobranças, das pressões que a sociedade nos impõe e a que nós mesmos nos impomos.

Quando pensamos, porém, nas consequências dessa imaturidade típica dos 20 anos na construção de um relacionamento com uma mulher, a coisa muda de figura.

Eu sempre digo em sala de aula para as minhas alunas: “adestrem o namorado de vocês!”. O ‘adestrem’ faz parte da brincadeira, mas a ideia é por aí mesmo! Nós homens, nessa fase da vida, estamos despreparados para ser o Homem que uma mulher merece. Então, é preciso que elas, com toda a delicadeza que a natureza lhes deu, nos oriente.

Eu tive sorte. Apesar de sempre ter sido um tanto mais maduro que o normal na adolescência, apesar de minhas leituras terem me dado uma visão um pouco mais aguçada sobre esse universo misterioso que é a mulher, apesar de procurar sempre aprender com meus erros, aos 22 anos eu ainda era uma massa disforme de menino com ares de homem. Mas tive sorte de encontrar uma garota que, apesar de menina, tinha uma visão bem clara da mulher que queria ser e do que um homem tinha que ter para conquistá-la.

Tive sorte de encontrar uma garota que soube me mostrar que essa história de feminismo é, em grande parte, besteira. Que mulher quer e precisa, sim, ser bem tratada, ser mimada, ser louvada; que gentileza não é favor, é obrigação. Como diria novamente Nelson Rodrigues: “As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado.”.

Foi para aprender a deslizar, sem ferir, entre a menina que ela era e a mulher que ela queria ser, que ela viria a ser, que eu fui aprendendo a enxergá-la melhor, aprendendo a traduzir tanto seus momentos de fúria quanto seus silêncios; fui aprendendo a antecipar seus quereres; fui aprendendo a intuir a hora de incentivá-la, de provocá-la, de empurrá-la para frente, apoiá-la nos seus projetos, e a hora de protegê-la, de niná-la, de consolá-la.

Tive sorte de encontrar uma menina que me fez querer ser Homem para tê-la: para extrair o melhor dela, precisei extrair o melhor de mim. Aprendemos os dois, crescemos os dois.

Hoje ela é a mulher que aquela menina queria ser, está cada vez mais melhorando crescendo. É com uma imensa alegria que eu vejo, de longe, sua felicidade, que vibro com suas realizações.

Ela me ajudou muito a me tornar o homem que sou. E, como eu já disse outra vez, cada mulher que passou por mim me ajudou a me tornar um homem melhor para a que veio a seguir, cada uma me ensina algo, me mostra que preciso melhorar em algo.

Poucas mulheres sabem o poder que tem, mas esse poder é capaz de transformar.  Por isso eu digo sempre às minhas alunas que mostrem aos homens com quem se relacionam o que querem, o que precisam, o que merecem.  Usem suas armas, suas artimanhas, façam-nos querer ser melhores para tê-las, para merecê-las.

Se hoje sou um homem melhor, foi graças às mulheres que me amaram. Espero ter retribuído à altura tudo o que elas me deram, espero ter deixado de mim nelas tanto quanto elas deixaram em mim.

Steller de Paula

8 de dezembro de 2013

Amizades à deriva

Filed under: Crônica,Não categorizado — stellerdepaula @ 17:35
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The storyteller

No livro a máquina de fazer espanhóis, de Walter hugo mãe, um olhar profundo e lírico sobre a velhice, o senhor Silva perde a esposa Laura depois de meio século de casados e é colocado pela filha num lar para a terceira idade. Lá, convive com a dor pela perda da mulher que amou, com a raiva pelo tratamento que lhe deram os filhos e com a constatação de que foi posto lá para esperar a morte ir buscá-lo, vendo seu corpo e sua mente desmoronarem lentamente sem que ele nada possa fazer.
Mas, lá, o senhor Silva conhece outros idosos, com histórias diferentes da dele, mas, no fim, unidos num mesmo resto de destino. E no meio da raiva e da dor, o senhor Silva, que sempre vivera em função da família, para a família, fechado no circulo estreito da família, descobre a amizade:

“nunca eu teria percebido a vulnerabilidade a que um homem chega perante outro. nunca teria percebido como um estranho nos pode pertencer, fazendo-nos falta. não era nada esperada aquela constatação de que família também vinha de fora do sangue, de fora do amor ou que o amor podia ser outra coisa, como uma energia entre pessoas…”

E, com essa “terrível prenda”, ganha mais um lote de dores, pois precisa assistir à morte de alguns dessa sua nova família, antes que venha a sua.

“precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia.”

É um belo livro, um livro triste, que nos mostra verdades ácidas sobre o ser humano, a vida, a velhice, a morte.
Um livro que li em parcelas, pois cada capítulo exige do leitor uma longa parada, um mergulho em si mesmo.
Sentado na Saraiva, interrompo a leitura e reflito novamente sobre a amizade. Fecho o livro, olho um pouco para trás, para meu passado recente, e recordo algumas pessoas com as quais o convívio me dava grande prazer, dava mais graça às horas do dia. Hoje não mais.

E, quando me questiono sobe o que teria acontecido para que tenhamos nos afastado, percebo que o afastamento não veio por uma ação de um ou de outro. Veio por omissão, veio por inércia. Uma “falta de tempo aqui”, uma “preguiça” ali, um esquecimento pontual, mais outro… e a distância se alargou ao ponto de a voz não ser mais ouvida. O silêncio se instalou.

A vida corre, nos leva aos repuxões, às vezes nos atropela. É preciso que tenhamos atenção para que ela não nos afaste daquilo que vale a pena preservar. É preciso zelo, cuidado com os carinhos que nos cercam. É preciso fazer com que os carinhos, os cuidados, as amizades que recebemos voltem em boa medida a quem nos devotou carinho, cuidado, amizade.

Por que essa incapacidade de conservarmos todos os carinhos? Essa incapacidade de guardar com a gente todos os afetos que nos fizeram bem? Por que precisamos nos afastar de uns para que outros surjam? Não cabe tudo num só coração?
Num determinado momento, o senhor Silva diz: “histórias bonitas aconteciam por acaso, e eu acabara de aprender que a vida tem de ser mais à deriva, mais ao acaso, porque quem se guarda de tudo foge de tudo.”

Concordo, o acaso nos traz pessoas que deixam marcas em nós, que encantam e dão mais sentido à nossa trajetória, amigos, amores sem os quais muitos dias teriam sido completamente vazios e a vida insuportável.

Mas depois de tê-los em nossa vida, por que deixá-los à deriva, distanciando-se de nós cada vez mais? Os amigos são a boia a qual nos agarramos para não nos afogarmos no tédio, no marasmo, na solidão. São eles que nos ajudam a levantar quando a vida nos derruba, que nos ajudam a clarear a visão quando as decepções nos obscurece a vista.

É triste que não saibamos preservá-los todos, que permitamos que a saudade ocupe seus lugares em nossa vida e que nos contentemos com as lembranças do antigo convívio.

Quantas saudades vieram aos seus olhos enquanto você lia? Quantas boas amizades hoje são lembranças? E o que faremos?

Steller de Paula

27 de novembro de 2013

Sem machismo e sem feminismo

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 21:20
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Romero

Hoje, lendo um texto sobre feminismo, machismo e outros “ismos”, lembrei uma amiga que, há algum tempo, confessou-me uma angústia: ela namorava há alguns meses e estava se sentindo mal com o “prejuízo” que vinha dando ao rapaz, pois ele pagava tudo, cinema, jantares, ingressos de festa, bebidas, sempre que ambos saiam.
– Logo se vê que ele é um rapaz bem adestrado! – Respondi a ela.

É esse o nosso papel mesmo, mimar aquela que, dentre tantas, escolhemos para estar junto de nós. O homem deve, sim, pagar a conta. E isso não é machismo, não é questão de se impor pelo dinheiro, não é reflexo da “velha opressão masculina do homem criado numa sociedade machista e patriarcal”! É cuidado, é gentileza, é uma forma de dizer que se importa, que valoriza. É idiota a mulher que não quer, que não exige, esse tipo de gentileza e outras mais, tão simples, como abrir a porta do carro, segurar a porta aberta para ela entrar, puxar uma cadeira para ela sentar, mandar uma mensagem carinhosa no meio do dia… A falta de educação e de gentileza é generalizada nessa cidade, é crônica! Então que a mulher treine seu parceiro, mostre sutilmente que valoriza, que espera esse tipo de gentileza! E, convenhamos, que ridículo o garçom chegar, ele pegar a conta, dividir na calculadora do celular: deu R$ 19, 31 para cada!
Expliquei isso a ela, que é triste quando uma mulher faz confusão para pagar metade da conta. Se oferecer, sim, é educado. Mas, quando ele fizer questão de pagar, que ela não insista.

Não estou dizendo que o homem deve pagar tudo e sempre! Se minha namorada quiser sair e eu estiver sem dinheiro, direi isso a ela. Caso ela se ofereça para pagar, aceito sem problemas! Não vejo problema em ela pagar a conta, inteira, algumas vezes.
Mas no começo do relacionamento, a outras formas de agir em relação a isso. Algumas mulheres esquecem que homem também gosta de ganhar presente, de saber que ela viu algo, lembrou-se dele, comprou. E não precisa ser nada muito absurdo, uma caixa de chocolate, que seja.
Se ele passou o mês, dois meses, enfim, pagando tudo para vocês, porque você não o presenteia? Compra um livro, um cd, uma camiseta, algo que você sabe que vai agradá-lo. Você o conhece, sabe seus gostos. Se não sabe é uma namorada ruim, pois basta prestar alguma atenção e saber ouvir: uma hora ou outra ele vai falar sobre algo que viu numa loja, algo que ele tinha e quebrou, algo que está pensando em comprar… Não custa nada, também, ter iniciativa: entra num site de compras coletivas e quando for encontrá-lo já vai com o jantar comprado e pago, planeja uma viagem e compra.
A Mulher foi feita para o amor, e é nosso papel cuidar, proteger, mimar. O homem que saber isso é um ser atento aos sinais, que procura, até, se antecipar aos desejos da mulher, que lida com a arte da adivinhação, que precisa saber o que ela quer quando nem ela mesma sabe o quer! Mas algumas mulheres se acomodam demasiadamente e mais exigem muito mais do que dão.
Foi essa, em essência, minha conversa com minha amiga. Ela estar preocupada já demonstrou uma sensibilidade por parte dela. Sensibilidade e gentileza não faltam só a alguns homens, mas a algumas mulheres também.

Steller de Paula

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