Escritos Esparsos

12 de dezembro de 2013

Homem aos 30

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 4:47
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Nelson Rodrigues dizia que “Aos 18 anos, o homem não sabe nem como se diz bom dia a uma mulher. O homem devia nascer com 30 anos.”.

Hoje, lembrando meus 20 anos, lembrando minha primeira namorada, sou forçado a concordar. Não que um garoto nessa faixa etária não seja capaz de marcar positivamente a vida de uma mulher, de fazê-la crescer com a convivência, de ajudá-la no seu crescimento, de amá-la bem, enfim.

Mas quando comparo o homem que sou ao que fui aos 20, percebo a sabedoria das palavras de Nelson.

Nós homens somos seres limitados, limitados por um extremo egoísmo que vem do simples fato de ser homem. Os homens demoram a amadurecer numa série de coisas, muitas vezes amadurecem profissionalmente mas continuam infantis emocionalmente e, mesmo maduros, guardam comportamentos infantis (basta observar um grupo de homens jogando futebol ou numa mesa de bar para confirmar isso).

Não é de todo ruim essa nossa característica; ela nos alivia um pouco das responsabilidades, das cobranças, das pressões que a sociedade nos impõe e a que nós mesmos nos impomos.

Quando pensamos, porém, nas consequências dessa imaturidade típica dos 20 anos na construção de um relacionamento com uma mulher, a coisa muda de figura.

Eu sempre digo em sala de aula para as minhas alunas: “adestrem o namorado de vocês!”. O ‘adestrem’ faz parte da brincadeira, mas a ideia é por aí mesmo! Nós homens, nessa fase da vida, estamos despreparados para ser o Homem que uma mulher merece. Então, é preciso que elas, com toda a delicadeza que a natureza lhes deu, nos oriente.

Eu tive sorte. Apesar de sempre ter sido um tanto mais maduro que o normal na adolescência, apesar de minhas leituras terem me dado uma visão um pouco mais aguçada sobre esse universo misterioso que é a mulher, apesar de procurar sempre aprender com meus erros, aos 22 anos eu ainda era uma massa disforme de menino com ares de homem. Mas tive sorte de encontrar uma garota que, apesar de menina, tinha uma visão bem clara da mulher que queria ser e do que um homem tinha que ter para conquistá-la.

Tive sorte de encontrar uma garota que soube me mostrar que essa história de feminismo é, em grande parte, besteira. Que mulher quer e precisa, sim, ser bem tratada, ser mimada, ser louvada; que gentileza não é favor, é obrigação. Como diria novamente Nelson Rodrigues: “As feministas querem reduzir a mulher a um macho mal-acabado.”.

Foi para aprender a deslizar, sem ferir, entre a menina que ela era e a mulher que ela queria ser, que ela viria a ser, que eu fui aprendendo a enxergá-la melhor, aprendendo a traduzir tanto seus momentos de fúria quanto seus silêncios; fui aprendendo a antecipar seus quereres; fui aprendendo a intuir a hora de incentivá-la, de provocá-la, de empurrá-la para frente, apoiá-la nos seus projetos, e a hora de protegê-la, de niná-la, de consolá-la.

Tive sorte de encontrar uma menina que me fez querer ser Homem para tê-la: para extrair o melhor dela, precisei extrair o melhor de mim. Aprendemos os dois, crescemos os dois.

Hoje ela é a mulher que aquela menina queria ser, está cada vez mais melhorando crescendo. É com uma imensa alegria que eu vejo, de longe, sua felicidade, que vibro com suas realizações.

Ela me ajudou muito a me tornar o homem que sou. E, como eu já disse outra vez, cada mulher que passou por mim me ajudou a me tornar um homem melhor para a que veio a seguir, cada uma me ensina algo, me mostra que preciso melhorar em algo.

Poucas mulheres sabem o poder que tem, mas esse poder é capaz de transformar.  Por isso eu digo sempre às minhas alunas que mostrem aos homens com quem se relacionam o que querem, o que precisam, o que merecem.  Usem suas armas, suas artimanhas, façam-nos querer ser melhores para tê-las, para merecê-las.

Se hoje sou um homem melhor, foi graças às mulheres que me amaram. Espero ter retribuído à altura tudo o que elas me deram, espero ter deixado de mim nelas tanto quanto elas deixaram em mim.

Steller de Paula

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8 de dezembro de 2013

Amizades à deriva

Filed under: Crônica,Não categorizado — stellerdepaula @ 17:35
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The storyteller

No livro a máquina de fazer espanhóis, de Walter hugo mãe, um olhar profundo e lírico sobre a velhice, o senhor Silva perde a esposa Laura depois de meio século de casados e é colocado pela filha num lar para a terceira idade. Lá, convive com a dor pela perda da mulher que amou, com a raiva pelo tratamento que lhe deram os filhos e com a constatação de que foi posto lá para esperar a morte ir buscá-lo, vendo seu corpo e sua mente desmoronarem lentamente sem que ele nada possa fazer.
Mas, lá, o senhor Silva conhece outros idosos, com histórias diferentes da dele, mas, no fim, unidos num mesmo resto de destino. E no meio da raiva e da dor, o senhor Silva, que sempre vivera em função da família, para a família, fechado no circulo estreito da família, descobre a amizade:

“nunca eu teria percebido a vulnerabilidade a que um homem chega perante outro. nunca teria percebido como um estranho nos pode pertencer, fazendo-nos falta. não era nada esperada aquela constatação de que família também vinha de fora do sangue, de fora do amor ou que o amor podia ser outra coisa, como uma energia entre pessoas…”

E, com essa “terrível prenda”, ganha mais um lote de dores, pois precisa assistir à morte de alguns dessa sua nova família, antes que venha a sua.

“precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia.”

É um belo livro, um livro triste, que nos mostra verdades ácidas sobre o ser humano, a vida, a velhice, a morte.
Um livro que li em parcelas, pois cada capítulo exige do leitor uma longa parada, um mergulho em si mesmo.
Sentado na Saraiva, interrompo a leitura e reflito novamente sobre a amizade. Fecho o livro, olho um pouco para trás, para meu passado recente, e recordo algumas pessoas com as quais o convívio me dava grande prazer, dava mais graça às horas do dia. Hoje não mais.

E, quando me questiono sobe o que teria acontecido para que tenhamos nos afastado, percebo que o afastamento não veio por uma ação de um ou de outro. Veio por omissão, veio por inércia. Uma “falta de tempo aqui”, uma “preguiça” ali, um esquecimento pontual, mais outro… e a distância se alargou ao ponto de a voz não ser mais ouvida. O silêncio se instalou.

A vida corre, nos leva aos repuxões, às vezes nos atropela. É preciso que tenhamos atenção para que ela não nos afaste daquilo que vale a pena preservar. É preciso zelo, cuidado com os carinhos que nos cercam. É preciso fazer com que os carinhos, os cuidados, as amizades que recebemos voltem em boa medida a quem nos devotou carinho, cuidado, amizade.

Por que essa incapacidade de conservarmos todos os carinhos? Essa incapacidade de guardar com a gente todos os afetos que nos fizeram bem? Por que precisamos nos afastar de uns para que outros surjam? Não cabe tudo num só coração?
Num determinado momento, o senhor Silva diz: “histórias bonitas aconteciam por acaso, e eu acabara de aprender que a vida tem de ser mais à deriva, mais ao acaso, porque quem se guarda de tudo foge de tudo.”

Concordo, o acaso nos traz pessoas que deixam marcas em nós, que encantam e dão mais sentido à nossa trajetória, amigos, amores sem os quais muitos dias teriam sido completamente vazios e a vida insuportável.

Mas depois de tê-los em nossa vida, por que deixá-los à deriva, distanciando-se de nós cada vez mais? Os amigos são a boia a qual nos agarramos para não nos afogarmos no tédio, no marasmo, na solidão. São eles que nos ajudam a levantar quando a vida nos derruba, que nos ajudam a clarear a visão quando as decepções nos obscurece a vista.

É triste que não saibamos preservá-los todos, que permitamos que a saudade ocupe seus lugares em nossa vida e que nos contentemos com as lembranças do antigo convívio.

Quantas saudades vieram aos seus olhos enquanto você lia? Quantas boas amizades hoje são lembranças? E o que faremos?

Steller de Paula

27 de novembro de 2013

Sem machismo e sem feminismo

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 21:20
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Romero

Hoje, lendo um texto sobre feminismo, machismo e outros “ismos”, lembrei uma amiga que, há algum tempo, confessou-me uma angústia: ela namorava há alguns meses e estava se sentindo mal com o “prejuízo” que vinha dando ao rapaz, pois ele pagava tudo, cinema, jantares, ingressos de festa, bebidas, sempre que ambos saiam.
– Logo se vê que ele é um rapaz bem adestrado! – Respondi a ela.

É esse o nosso papel mesmo, mimar aquela que, dentre tantas, escolhemos para estar junto de nós. O homem deve, sim, pagar a conta. E isso não é machismo, não é questão de se impor pelo dinheiro, não é reflexo da “velha opressão masculina do homem criado numa sociedade machista e patriarcal”! É cuidado, é gentileza, é uma forma de dizer que se importa, que valoriza. É idiota a mulher que não quer, que não exige, esse tipo de gentileza e outras mais, tão simples, como abrir a porta do carro, segurar a porta aberta para ela entrar, puxar uma cadeira para ela sentar, mandar uma mensagem carinhosa no meio do dia… A falta de educação e de gentileza é generalizada nessa cidade, é crônica! Então que a mulher treine seu parceiro, mostre sutilmente que valoriza, que espera esse tipo de gentileza! E, convenhamos, que ridículo o garçom chegar, ele pegar a conta, dividir na calculadora do celular: deu R$ 19, 31 para cada!
Expliquei isso a ela, que é triste quando uma mulher faz confusão para pagar metade da conta. Se oferecer, sim, é educado. Mas, quando ele fizer questão de pagar, que ela não insista.

Não estou dizendo que o homem deve pagar tudo e sempre! Se minha namorada quiser sair e eu estiver sem dinheiro, direi isso a ela. Caso ela se ofereça para pagar, aceito sem problemas! Não vejo problema em ela pagar a conta, inteira, algumas vezes.
Mas no começo do relacionamento, a outras formas de agir em relação a isso. Algumas mulheres esquecem que homem também gosta de ganhar presente, de saber que ela viu algo, lembrou-se dele, comprou. E não precisa ser nada muito absurdo, uma caixa de chocolate, que seja.
Se ele passou o mês, dois meses, enfim, pagando tudo para vocês, porque você não o presenteia? Compra um livro, um cd, uma camiseta, algo que você sabe que vai agradá-lo. Você o conhece, sabe seus gostos. Se não sabe é uma namorada ruim, pois basta prestar alguma atenção e saber ouvir: uma hora ou outra ele vai falar sobre algo que viu numa loja, algo que ele tinha e quebrou, algo que está pensando em comprar… Não custa nada, também, ter iniciativa: entra num site de compras coletivas e quando for encontrá-lo já vai com o jantar comprado e pago, planeja uma viagem e compra.
A Mulher foi feita para o amor, e é nosso papel cuidar, proteger, mimar. O homem que saber isso é um ser atento aos sinais, que procura, até, se antecipar aos desejos da mulher, que lida com a arte da adivinhação, que precisa saber o que ela quer quando nem ela mesma sabe o quer! Mas algumas mulheres se acomodam demasiadamente e mais exigem muito mais do que dão.
Foi essa, em essência, minha conversa com minha amiga. Ela estar preocupada já demonstrou uma sensibilidade por parte dela. Sensibilidade e gentileza não faltam só a alguns homens, mas a algumas mulheres também.

Steller de Paula

9 de junho de 2013

Falta gentileza, falta solidariedade; sobra egoísmo e revolta.

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 23:40

Moro numa cidade em que frequentemente escuto as pessoas se queixarem da falta de educação de nosso povo, em que é comum ouvir alguém dizer, após voltar de uma viagem ao exterior, que sente falta da educação do povo, com o outro, com sua cidade.

Mas olho para o lado e não vejo na maioria delas uma pratica cotidiana de cordialidade com o outro. E não estou falando de pessoa com baixa escolaridade, que têm que se preocupar com o que por à mesa para dar de comer aos filhos. Falo de pessoas cultas, com boa condição de vida, que aproveitam o que o mundo do consumo tem a oferecer, como viagens ao exterior.

Comportamentos simples como dar “bom dia”, pedir “por favor”, agradecer por um serviço que lhe foi prestado. Segurar a porta para alguém passar, ajudar a carregar pacotes ou embrulhos até o carro de alguém, ceder o lugar aos idosos, respeitar a fila, jogar o papel no lixo… Você, quando vai ao shopping, ao hospital particular, ao restaurante caro, ao barzinho, vê essas ações com frequência? Eu vejo muito menos do que gostaria.

Fazer isso não é ser, simplesmente, educado: é ser cortês. Mais do que educação sinto falta de gentileza entre as pessoas. Ser gentil com os parentes, com os amigos, com aqueles que nos prestam um serviço, com pessoas desconhecidas com quem cruzamos na rua.

Ser gentil não é gostar de todo mundo, não é rir para todo mundo. Ser gentil não é ser extrovertido. Nem todos são assim, e todos têm lá os seus dias ruins. Ser gentil é saber tirar o olho do próprio umbigo, é tratar bem as pessoas, é saber conviver e tornar os espaços em que convivemos mais harmônicos.

Gentileza tem a ver com educação; educação tem a ver com solidariedade; solidariedade tem a ver com gentileza. E a falta de tudo isso tem a ver com egoísmo.

José Saramago disse em um dos seus livros que “ainda está para nascer o primeiro homem desprovido daquela segunda pele a que chamamos egoísmo, muito mais dura que a primeira, que a tudo sangra”.

Não deixo de concordar. Não é fácil lutar contra meu egoísmo, contra minha preguiça. Não é fácil sair da minha zona de conforto, abrir mão do meu tempo de lazer e de descanso para procurar me preocupar com os problemas dos outros. Não é fácil, eu sei. Eu luto e nem sempre venço.

Mas muitos dos problemas dos outros são meus.

Fortaleza hoje organiza a marcha “Fortaleza Apavorada”. Vejo as pessoas revoltadas com a insegurança, postando mensagens de apoio no facebook, curtindo as fotos e colocando a culpa no Governo e tentando se organizar para cobrar medidas contra a violência.

Sentimentalismo Burguês

É fácil colocar a culpa no Governo.

Mas violência tem a ver com desigualdade social, e desigualdade social tem a ver com educação pública de qualidade.

Muitos que hoje clamam por segurança e organizam a passeata contra a violência são críticos mordazes dos programas de distribuição de renda do Governo. E quantos dão apoio aos professores das escolas públicas quando eles fazem greve lutando por melhores condições? E quantos já fizeram algum tipo de trabalho voluntário ou social?

É fácil criticar o Governo e ficar esperando que alguém resolva os problemas que afetam a todos. É fácil compartilhar fotos de esfomeados na África e posar de revoltado. É fácil ligar ara o “Criança Esperança” uma vez por ano doando R$ 30,00 ou contribuir com o dízimo na Igreja e achar que fez sua parte.

Difícil, como eu disse, é sair da nossa zona de conforto, é ser menos egoísta, mais solidário, mais gentil.  É ser mais político, pois ser político não é apenas votar, esquecer em quem votou, e ficar clamando contra o Governo esperando que ele resolva todos os problemas.

O filósofo Alexis de Tocqueville, em seu livro sobre a Democracia americana, previu, em 1835, um mundo assim:

“vejo uma multidão inumerável de homens semelhantes e iguais, que sem descanso se voltam sobre si mesmos, à procura de pequenos e vulgares prazeres, com os quais enchem a alma. Cada um deles, afastado dos demais, é como que estranho ao destino de todos os outros: seus filhos e seus amigos particulares para ele constituem toda a espécie humana; quanto ao restante dos seus concidadãos, está ao lado deles, mas não os vê; toca-os e não os sente; existe apenas em si e para si mesmo, e, se ainda lhe resta uma família, pode-se ao menos dizer que não mais têm pátria.”

 

Você também percebeu alguma semelhança com esse nosso mundo?

E você já se perguntou o que pode, realmente, fazer, além de clamar contra o Governo?

Estou me perguntando agora…

Steller de Paula

6 de maio de 2013

O Eterno Retorno

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 3:56
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Alexander Jansson 01

Recentemente, meus dias têm sido de paz. Tirando um ou outro susto aqui e ali, uma ou outra grata surpresa aqui e ali, ando mergulhado numa rotina tranquila: trabalho, faculdade, leituras, estudos… uma vida morna. Mas a verdade é que a rotina inquieta. E a gente fica esperando que algo aconteça, que algo surpreenda, que algo deslumbre, que algo chacoalhe os dias, bagunce as horas do dia.

Enquanto isso não acontece, frequentemente me pego a olhar para trás, a dar mergulhos no passado como que tentando buscar algum frescor, alguma inspiração. Meus últimos textos foram colhidos aí, detrás do muro da rotina presente.

No livro A gaia ciência, Nietzsche reflete e nos faz refletir sobre a existência que levamos e que queremos levar ao propor a ideia do eterno retorno:

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “esta vida, assim como tu a vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes; e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indizivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência- e do mesmo modo essa aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez – e tu com ela, poeirinha da poeira!” Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasse assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderias: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!””

Ficou a pergunta pairando, exigindo uma resposta: seria um demônio o portador de tal notícia, ou seria um anjo?

Lembrei minha infância na cidade 2000, os jogos de bila, as corridas de bicicleta, os cuidados do seu Jósa e da dona Toinha, vizinhos que cuidavam de mim enquanto meus pais trabalhavam. Lembrei os mimos e os castigos dados e impostos pela Kaká e por minha vó, duas mães que a vida me deu de brinde, já não bastasse a minha que sempre foi A mãe.  Lembrei os primeiros amigos, hoje já distantes, tragados pela areia movediça do tempo e da distância. Lembrei as primeiras brigas na rua, no colégio, os jogos de bafo, com figurinhas de automóveis e de jogadores de futebol. Lembrei a primeira surra que tomei do meu pai, aos três anos, por ter repetido um palavrão ouvido não sei onde, lembrei seus ensinamentos, sua moral, seus exemplos.

Lembrei a separação dos meus pais, que não fez mal, a meu irmão e a mim, pelo contrário, trouxe paz para dentro de casa. Lembrei meu gosto de brincar com fogo, que resultou numa bomba fracassada, o rosto todo queimado, a vergonha de ir para a escola com o cabelo queimado, a sobrancelha queimada…

Lembrei as noites dormidas na fazenda em Horizonte, os banhos de açude, os passeios a cavalo, o mais belo animal que a natureza já criou, depois da mulher, que é a mais bela criatura de toda a criação universal.

Lembrei as viagens para Morro Branco, para Caponga, lembrei os carnavais da vida, sempre com os primos e os amigos, as bagunças, os jogos de futebol, as paqueras, as confusões, as peças pregadas uns aos outros.

Lembrei, lembrei, lembrei…

Lembrei escolhas certas e erradas, momentos bons e momentos ruins, quedas, rasteiras, aprendizados. Lembrei pessoas a quem ajudei, pessoas a quem magoei. Lembrei aproximações e afastamentos. Lembrei os desentendimentos com meu irmão, com meu pai, as pazes feitas e novamente desfeitas, pois tanto quanto nos parecemos, nos diferenciamos.

Lembrei as decepções causadas a minha mãe, os conselhos não ouvidos.

Lembrei os colegas de profissão, os amigos de faculdade, as mulheres que amei.

E, lembrando, percebi que, sim, eu viveria esta vida novamente, do mesmo jeitinho, se não houvesse como fazê-la melhor.

Claro, havendo chance, muita coisa eu faria diferente, eu tentaria consertar. Claro que me arrependo. Mas, diante da ideia do eterno retorno proposta por Nietzsche, eu me orgulho da vida que tive, me orgulho das relações que construí, me orgulho de tudo o que aprendi, me orgulho da pessoa que me tornei. Eu tive do bom e do ruim, eu ganhei e eu perdi, eu amei e fui amado, sofri e fiz sofrer, mas o saldo até aqui foi sempre positivo, tudo valeu a pena.

Mas eu penso que, mais do que nos fazer refletir sobre o passado, o que Nietzsche queria com essa ideia era no fazer pensar no futuro. Que vida você levaria, sabendo que essa vida seria repetida e repetida e repetida, existência após existência? Quem você quer ser, que caminhos quer seguir, que laços quer criar, quem quer manter perto de si?

Mais do que nos fazer olhar para trás, Nietzsche nos força a olhar para o agora, pois é agora que construímos o amanhã. E, no fim de tudo, o que nos restará são lembranças, lembranças que nós precisamos construir hoje. Uma vida que será repetida na memória, dias após dia, quando não tivermos mais forças para vivê-la.

É preciso que façamos que os dias valham a pena, que a vida valha a pena, que nossas lembranças nos encham de nostalgia e de orgulho por uma vida, apesar de tudo e por tudo, bem vivida e digna de ser lembrada.

Steller de Paula

24 de abril de 2013

Mulheres que não se deixam esquecer

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 17:42
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Chagall 01

Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.”

Pablo Neruda

Era para haver uma data no calendário, um dia especial, para que nós homens pudéssemos beber à lembrança das mulheres que nos esqueceram e as quais nós, nunca, as podemos esquecer.

Gabriel Gárcia Márquez, com a sabedoria de quem muito viveu, diz que “A vida não é a que cada um viveu, mas a que recorda e como recorda para contá-la”.

Pois um longo fio da minha memória segue o caminho que tracei através de mulheres que viveram em meus pensamentos, me encantando, me assombrando, me sufocando com seus beijos ou com a falta deles, com suas vozes ou com seus silêncios, com suas presenças ou com suas ausências.

Estando esse dia oficializado, eu beberia à lembrança da Mel, a primeira mulher cuja beleza queimou meus olhos e me fez querer ser melhor para estar à sua altura. Fazíamos a alfabetização, no saudoso Instituto Infantil Tia Neuma. Loirinha, cabelos muito cacheados, inteligente, me fez estudar para ser o primeiro da turma, empatado com ela. Naquele tempo eu ainda não sabia, mas foi o primeiro caso a comprovar o quão grande incentivo é a necessidade de impressionar uma garota. (Já a procurei no facebook e não encontrei)

Beberia à lembrança das gêmeas que estudaram comigo no ensino fundamental do colégio Erotides Melo Lima, duas garotas desinibidas e voluptuosas (naquele tempo não conhecia esse sinônimo elegante para “gostosa”), que povoaram meus desejos adolescentes.

Beberia à Jennifer, minha colega de ensino médio no Geo, pele branca, cabelo preto e olhos que era vê-los e meu dia se tingia de azul. Um azul que me intimidava mais que tudo, e foi outro platonismo.

Platonismo e timidez no fundamental, no ensino médio e, como não podia deixar de ser, na faculdade: beberia à Mariana, amiga que tantas vezes ouvi querendo beijar, que consolei querendo curar com meus carinhos.

Ah, como eu beberia à lembrança da Bia, minha primeira namorada, meu primeiro amor, por quem emagreci cinco kg em três dias, depois de a ter perdido por conta do carinho e do desejo sem tamanho por outra mulher que não esqueço.

Beberia à Carol, mas nesse dia especial, beberia sozinho e não na companhia dela como recentemente tenho feito.  Beberia a ela que me ensinou novamente a amar e a perder, que me fez aprender que o amanhã é quase tão importante quanto o hoje, embora ela às vezes se esqueça de que o hoje é mais importante que o amanhã, pois a vida é o agora. Beberia a ela que fez amá-la a distancia por seis meses, convivendo cotidianamente com a saudade e com a insegurança. Só a lembrança da sua presença, da vida que ela irradiava me fez persistir. Beberia a suas cobranças que tanto me exasperavam, mas que tanto me melhoravam Beberia à sua carência, á seu carinho, à sua fragilidade, à sua precisão de mim naquele momento .  Beberia a ela que, como diz Vinícius, quando nos separamos, não foi: partiu.

Beberia à Raissa, japinha linda, tão guardada no meu carinho, que ajudou a curar meu coração ferido, que só falava comigo sem o auxílio das palavras e que por conta desse muro de silêncio eu não aprendi a amar.

Beberia a uma menina-poeta, a quem chamei de tentação, a quem feri sem saber numa confusão de amores entrecortados e cujos olhos inda hoje me lembram doçura e desejo, inocência e malícia.

Beberia à Lari, cujos beijos faziam exuberâncias em mim, cujo abraço era uma “dulcíssima prisão”. Beberia a ela, que me ensinou o mais amplo sentido das palavras paciência e compreensão. Lari, por quem tanto lutei, mas a quem perdi; pois o medo às vezes tem mais força que o cuidado, o carinho, o amor. Beberia à sua lembrança, que no meio de tudo, apesar de tudo e por tudo, ainda me desperta uma vontade de sorrir e ainda me enche de poesia.

Neste dia, eu beberia às mulheres que tive e às que não tive. Àquelas que povoaram minhas fantasias, meus sonhos e minha realidade e, hoje, ainda povoam minha memória. Beberia pelo que me deram e pelo que me tiraram. Beberia às mulheres que amei e às que não pude amar. Nós homens, mais que elas, merecemos esse dia. Um dia para lembrar e homenagear, agradecer e pedir desculpas, reconhecer os erros e os acertos. Pois, no fim do dia, a gente percebe que tudo é por elas.

Steller de Paula

30 de março de 2013

Quando o coração acalma

Filed under: Crônica — stellerdepaula @ 20:44

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“Professor, quando a gente sabe que um relacionamento ficou pra trás, que a gente já se curou do fim?” – foi a pergunta que me fez uma das minhas crianças, com o coraçãozinho ainda apertado e assombrado por lembranças, na madrugada de ontem.

Depois de tentar confortá-la e convencê-la de que, sim, ela vai ser capaz de amar novamente outra pessoa com a mesma intensidade que devotou ao ex-amor, saí do facebook e fiquei ouvindo “When Something Is Wrong With My Baby” na voz de The Sam & Dave Show e pensando nessa pergunta.

A melhor resposta a ela me foi dada por minha segunda namorada, a Carol. Estávamos, ainda no começo do nosso namoro, na praça de alimentação do Iguatemi quando vi minha ex vindo em nossa direção. Carol já a conhecia de nome, claro. A abordei, a apresentei, conversamos alguns minutos e ela se foi.

Quando ela virou as costas e saiu, Carol me olhou, séria, sem dizer nada, e pôs a mão no meu peito, sobre meu coração. Ao sentir que ele pulsava tranquilo, sereno, sorriu. Linda, ali sorrindo, sentindo que meu coração não batia descompassado por outra. Vi seu sorriso, entendi o porquê do gesto e sorri também.

Acho que é assim que a gente sabe que o que um dia já foi um amor intenso, hoje navega tranquilo nos mares da lembrança. Que aquela pessoa por quem se vivia, ocupando seus dias, seus pensamentos, seus sentimentos, hoje descansa num lugarzinho guardado na memória e deixou seu coração livre para que outra venha e ponha sua mão sobre ele, como quem diz “Agora eu cuido”.

Quando colocou a mão no meu peito e sentiu meu coração batendo calmo diante da ex, a Carol percebeu que ele estava livre, pronto a ser ocupado, sem fantasmas a assombrá-la.

Por dois anos e um pouco mais ela ocupou, com sua beleza, sua vivacidade, seus conflitos. Depois o deixou, com sua marca indelével no modo como ele passou a bater. O deixou para que outra garota viesse a ocupa-lo, bagunça-lo, abandoná-lo, refazendo um ciclo.

Três vezes meu coração sambou dentro do peito. Por três mulheres ele pulsou mais cheio de vida. Por três vezes eu precisei domá-lo quando elas se foram.

Não é fácil, não é rápido, não é sem dor.

Estou domando-o, ainda, para a que a de vir possa pô-lo em suas mãos, senti-lo tranquilo e impor a ele um novo ritmo, ditado pelo seu sorriso.

Steller de Paula

29 de março de 2013

Amigos e uma mesa de bar

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 2:57

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Se me lembro bem, foi Nietzsche quem disse que “temos a arte para que a verdade não nos destrua.”

É madrugada de uma véspera de feriado e estou em casa assistindo How i met your mother, série que acompanho há uns bons anos (está na oitava temporada). Mais uma noite que vivo através daqueles personagens tão diferentes e tão igualmente cativantes. Foi através deles meu escapismo de hoje.

“- E como eu tentaria te parar?

– Não sei… contando como a vida é curta, e se cruzar com um lindo, animado e louco momento tem que pegar enquanto pode, antes de perder o momento?

– Ted, esse momento já está perdido.”

Engraçado como a arte, ao mesmo tempo em que nos proporciona uma fuga de nossa realidade, que impede nossa realidade nos destrua, também funciona como espelho, nos faz mergulhar nessa realidade, questioná-la, querer mudá-la.

Sempre que acompanho a vida de Ted, Barney, Marchal, Lily e Robim, sinto falta de uma amizade como a deles. Mais do que invejar a cara de pau do Barney e seu sucesso com as mulheres, mais do que querer uma Robim pra mim, mais do que admirar o companheirismo e o amor entre Marshall e Lily, mais do que me ver um pouco no abestado do Ted, sinto falta de uma amizade forte, presente, constante como a deles.

Lembro meus grandes amigos do passado, Isaac, Heide, Daniel, Térsio, os Thiagos, Janaína, Priscila… hoje tão longes; amizades que a distância desfez, que o tempo enfraqueceu.

Lembro os amigos recentes que, por um motivo ou outro, só vejo ocasional e separadamente. (Babi em viagem, a pouco tempo do dia do seu aniversário, perguntando: “Amiga, posso comprar meu presente logo aqui?”)

Lembro os amigos-irmãos, Beto e Márcio, já casados, sempre na lembrança mas poucas vezes ao redor da mesa de um bar conversando besteira e dividindo problemas, medos, incertezas tanto quanto alegrias e satisfações.

A vida às vezes nos pega pela mão e vai nos afastando de muito daquilo que a gente ama, que nos importa, que nos faz bem. As obrigações, as contas a pagar, a preguiça… fazem com que a gente se permita o afastamento, encontre desculpas para não aparecer, não ligar, não se fazer presente na vida de quem a gente ama.

É mais fácil a gente deixar de lado aquilo que já está conquistado, o carinho já garantido, a amizade já consagrada, pois a gente acredita e espera que, quando precisar, aquele carinho, aquele cuidado vai estar lá, onde a gente deixou, pronto a nos acolher.

E, assim, não se reserva um tempo pra conversar com a mãe, para fazer algum programa com os irmãos, pra visitar aquela tia que tanto nos acolheu nas férias de infância, para fazer um carinho na avó. E, assim, os amigos vão sendo perdidos pela rotinas, suas histórias se tornando desconhecidas, as conversas superficiais e, quando o encontro finalmente acontece, já não é mais tão fácil conversar besteira e o silêncio, que antes unia, agora constrange.

Sim, uma bela amizade resiste à distância, mas é preciso a presença, ainda que por meio virtual, para que se mantenha a confiança, para não se perca a intimidade, para que o sorriso continue abraçando, para que o peso dos dias não construa uma barreira que separe o carinho, que esfrie o companheirismo.

Ah, claro que um bom bar a ser visitado por todos com alguma frequência ajuda bastante! Meus bons tempos de bar do avião e de Zug que o digam!

Steller de Paula

18 de março de 2013

Um homem só é completo no amor.

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 2:08

Psique revivida por Eros - Canova - Louvre

Um homem só deve correr atrás da mulher que ama, ou daquela que algum temor indica que ele pode vir a amar. Correr para trazer, correr para preservar, correr para manter-se fiel ao amor.

Quando o amor nos começa, difícil é saber o limite, a fronteira que nos separa dele. Como retirar o amor da pele? Como separá-lo do olhar? Como saber onde começa o homem e onde termina o amor que o preenche? E aquilo que não se pode ver é sempre tão mais bonito.

É difícil desenhar o amor. Eu tento por meio das palavras.

Eu conheço o amor que vive em mim como a palma da minha mão. Conheço os meandros desse amor, seus melindres, seus receios, suas falsas esperanças. Eu sei que o amor por vezes me enrubesce os olhos; basta vê-la.

Um homem deve ser devoto às mulheres, deve dar a elas o que elas precisam de atenção, de proteção, de conforto, de carinho, de desejo. Mas um homem só pode dar-se ao amor. Um homem não consegue trair seu amor. E não escolhemos o amor. Contraímos o amor.

Um homem só é completo no amor. É aos pedaços que me entrego às mulheres, talvez esperando que alguma delas consiga juntar os pedaços e montar o todo que outra quebrou. Porque é de amor que se faz a vacina para nos curarmos do amor.

Raiva, ciúmes, solidão, amizade, sexo… eu sei que nada disso vai me curar do amor que tenho, só mais e mais amor.  E não é me aprisionando à solidão que o reencontrarei, é me abrindo ao convívio, procurando aquele perfume de jasmim no canto de um sorriso. Quem sabe se mergulhando no desejo que atraí não encontro o azul do amor repousando lá no fundo. Ao jogar com o desejo, o prêmio pode ser o amor. Sentimentos são imprevisíveis.

Correr atrás da mulher que ama, então, não significa tentar reconquistar o amor dela, quando perdido. O amor, o grande amor, não é egoísta, não é possessivo, não torce contra. Correr atrás, nesse caso, significa lutar contra a saudade, contra o desejo de possuir, contra a vontade de vê-la sentindo minha ausência como sinto a dela. Significar estar perto quando necessário, ajudar quando possível, confortar quando for imperativo.

Meu amor é um querer bem, é querer estar perto para ajudar a suportar suas dores, a carregar seus sorrisos como o silêncio carrega a beleza da noite.

Eu conheço o amor que vive em mim como a palma da minha mão. Eu o desenho com palavras para conhecê-lo. Ele me preenche, mas não me controla. Eu o direciono para o melhor de mim.

Steller de Paula

9 de março de 2013

DIA DAS MULHERES

Filed under: Não categorizado — stellerdepaula @ 15:54

COLETÂNEA EM HOMENAGEM ÀS MULHERES, QUE TANTO ENCHEM MINHA VIDA DE POESIA! FELIZ DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES!

“As mulheres são encantadas. Encantam-me mais que o mar, encantam-me mais que o luar. Nada me maravilha mais que vê-las, conhecê-las, vivê-las. Ir, aos poucos, descobrindo suas particularidades, seus mistérios. É o modo como sorri, como ajeita o cabelo, como se maqueia as pressas no espelhinho do carro. É o modo como anda, como dança, como se despe, tirando peça por peça, mas deixando os brincos. O modo como se excita, como sua pele arrepia, como sua respiração ofega. É o modo como chora, como em seu peito reverberam os sentimentos, como as lágrimas inundam seus olhos, às vezes lentamente, brotando de sua alma como uma pequena nascente brota do interior da terra, às vezes de súbito, como o inesperado som do trovão.”

“Uma mulher, nenhuma mulher, não deve ser usada para o homem disfarçar sua fraqueza, sua carência, seu abandono. Uma mulher, toda mulher, deve ter ao seu lado um homem concentrado nela, atormentado pelo desejo que sente por ela, com os olhos em poesia pela beleza dela, satisfeito pela admiração que tem por ela.”

“Cada mulher que passou por mim, por minha vida, me deu e deixou em mim muito do que eu tenho de bom. E espero ter retribuído em carinho, em afeto, em honestidade, em delicadeza. Espero ter construído, mais que destruído. Espero estar nelas, tanto quanto elas estão em mim.”

“Havia luz no teu sorriso, teu sorriso resplandece, e, sem perceber, eu me pegava sorrindo e percebia que não havia mais máscara. Se olhava pro lado e me via mergulhado em teu sorriso largo, lindo, alegre como um campo de trigo acarinhado pelo vento, era como se a paz reinasse e não houvesse injustiça, nem decepção, nem solidão.”

“De todas as formas de arte, amar bem a mulher que você ama é a que requer mais especialização, cuidado e sensibilidade.”

“Vou dormir. Eu não rezo, você sabe. Mas toda noite, antes de dormir, tenho um bom pensamento pra ti. Já faz um tempo acredito no poder disso. Sempre um bom pensamento te abraçando, te embalando, pensamento de proteção e carinho.”

Steller de Paula

*Frases retiradas de vários textos diferentes que escrevi nos últimos 3 anos.

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